Mostrando postagens com marcador Opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opinião. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de junho de 2026

OPINION | The tyranny of notifications

The phone vibrates. Sometimes, it is an important message. Most of the time, it is not. Yet we interrupt conversations, look away from our books, or suspend our thoughts. We have become hostages to small electronic summons that appear at any moment, demanding immediate attention. Technology promised to bring us closer to the world, but in many ways, it has merely fragmented our ability to remain present.

There was a time when silence was part of everyday life. We waited for letters, returned phone calls, or news that arrived at its own pace. Today, even a delay of a few minutes can generate anxiety. The absence of notifications itself can feel unsettling, and the value of our days seems to depend on the number of alerts we receive. Meanwhile, those empty moments that once allowed us to observe, imagine, or reflect are quickly filled with yet another glance at a screen.

Perhaps, the greatest tyranny of notifications lies not in the sound they make, but in the power they exert over us. With every vibration, we surrender a little of our time and attention—two of the most valuable resources we possess. Could it be that true digital freedom consists not in responding more promptly to our devices, but in responding more thoughtfully to the life unfolding around us?

segunda-feira, 15 de junho de 2026

CRÔNICA | A tirania das notificações

O celular vibra. Às vezes, é uma mensagem importante. Na maioria das vezes, não. Ainda assim, interrompemos a conversa, desviamos o olhar do livro ou suspendemos o pensamento. Tornamo-nos reféns de pequenos chamados eletrônicos que surgem a qualquer hora, exigindo atenção imediata. A tecnologia prometeu nos aproximar do mundo, mas, em muitos momentos, apenas fragmentou nossa capacidade de permanecer presentes.

Houve um tempo em que o silêncio fazia parte da rotina. Esperávamos cartas, retornos telefônicos ou notícias que chegavam no seu próprio ritmo. Hoje, qualquer demora de alguns minutos pode gerar ansiedade. A ausência de notificações chega a causar estranhamento, e o valor de nossos dias parece depender da quantidade de alertas recebidos. Enquanto isso, os instantes vazios, que antes serviam para observar, imaginar ou refletir, são rapidamente preenchidos por mais uma olhada na tela.

Talvez, a maior tirania das notificações não esteja no som que elas produzem, mas sim no poder que exercem sobre nós. A cada vibração, cedemos um pouco do nosso tempo e da nossa atenção, dois dos recursos mais valiosos que possuímos. Será que a verdadeira liberdade digital não consiste em responder menos prontamente aos aparelhos e mais cuidadosamente à vida que acontece ao nosso redor?

terça-feira, 26 de maio de 2026

CRÔNICA | Riscos psicossociais: uma realidade desprezada

Durante muito tempo, o trabalho foi romantizado como medida de dignidade, sucesso e virtude. Sofrer calado era sinônimo de comprometimento, enquanto o cansaço extremo ganhou nomes elegantes em inglês para parecer menos cruel. No meio dessa lógica adoecida, os riscos psicossociais foram tratados como exagero de gente fraca, embora estivessem presentes em corredores corporativos, repartições públicas, fábricas e escritórios climatizados. Hoje, finalmente, começa-se a reconhecer que pressão constante, humilhação, metas abusivas e ausência de descanso não são apenas desconfortos da rotina moderna, mas fatores reais de adoecimento físico e mental. A Portaria MTE nº 1.419/2024 atualizou a NR-1, que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A mudança reforça que os riscos psicossociais também precisam ser identificados, avaliados e gerenciados pelas empresas, assim como riscos físicos, químicos ou ergonômicos.

No setor privado, os riscos psicossociais costumam esconder-se atrás de discursos motivacionais e gráficos de produtividade. Há empresas que transformam a competição em método de gestão, estimulando jornadas intermináveis, disponibilidade permanente e uma cultura em que ninguém pode demonstrar cansaço. O trabalhador responde mensagens fora do expediente, participa de reuniões desnecessárias e aprende a sorrir enquanto a ansiedade se instala silenciosamente. Em muitos ambientes, o medo da demissão sustenta relações abusivas, fazendo com que o funcionário normalize situações absurdas apenas para manter o salário no fim do mês.

No setor público, embora a lógica seja diferente, os riscos psicossociais também se manifestam de forma intensa. A sobrecarga provocada pela falta de servidores, estruturas precárias, pressões políticas e burocracias intermináveis produz um desgaste contínuo em profissionais que lidam diariamente com demandas sociais complexas. Professores, profissionais da saúde, assistentes sociais e agentes de atendimento convivem com cobranças elevadas e reconhecimento escasso. Soma-se a isso um ambiente, muitas vezes, engessado, onde conflitos internos se prolongam sem solução, e a sensação de impotência se acumula lentamente. O serviço público carrega a contradição de exigir estabilidade emocional de trabalhadores submetidos a condições emocionalmente instáveis.

Reconhecer os riscos psicossociais é mais do que cumprir normas ou evitar processos judiciais. Trata-se de admitir que ambientes de trabalho podem adoecer pessoas de maneira profunda e duradoura. A nova atenção dada ao tema representa um avanço necessário, ainda que tardio. Afinal, produtividade construída sobre exaustão nunca foi sinal de eficiência, mas de negligência institucionalizada. Nenhuma sociedade se torna saudável quando trata sofrimento como requisito profissional. E, talvez, o maior desafio não seja criar leis, mas abandonar a velha cultura que confunde resistência ao abuso com mérito pessoal. Por isso, patrões e gestores, não adianta reclamar da quantidade de atestados médicos diante de um ambiente que vocês mesmos legitimam.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

CRÔNICA | A vida para ontem

Sou da geração que teve que aprender a usar a internet, que teve que fazer faculdade presencial, mas que teve que se acostumar com a educação a distância para realizar as pós-graduações. Depois de mim, veio a geração que já nasceu num mundo com internet, que não soube como é viver sem o acesso a ela. E, mais recentemente, começaram a nascer criaturas num mundo já com inteligência artificial, onde tudo é relativamente fácil, o conhecimento não precisa ser armazenado, pois basta perguntar à IA como fazer tal coisa, onde tudo é para ontem.

Quando paro para pensar sobre essa evolução de gerações, às vezes, fico assustado. Como será o mercado de trabalho? Haverá aposentadoria? Faculdades ainda terão alunos? Crises de ansiedade serão três por dia? Tudo virou efêmero?

E, no meio dessas perguntas, lembro-me de quando esperar fazia parte da vida: esperar a conexão discada completar aquele chiado; esperar a resposta de uma carta que levava dias; esperar o professor chegar à sala, abrir o livro e, com calma, construir o raciocínio; esperar o filme e o cartucho de videogame retornarem às locadoras, etc. Havia um tempo entre o querer e o ter; e era nesse intervalo que nós aprendíamos mais do que imaginávamos.

Hoje, o intervalo desapareceu. A resposta vem antes mesmo da dúvida amadurecer. E isso, que parece tão eficiente, por vezes, soa como um silêncio estranho: não o silêncio da ausência, mas o da falta de profundidade. Porque saber fazer não é o mesmo que entender por que se faz. Muitos, atualmente, sequer leem o texto completo dado pela IA, não têm paciência.

É uma crítica com carinho. Afinal, cada geração carrega suas facilidades e seus fardos. Se antes lutávamos contra a falta de acesso, agora lutamos contra o excesso dele. Se antes o problema era encontrar informação, hoje é confiar nela. Mudam-se os obstáculos, porém a travessia continua.

Talvez, o mercado de trabalho mude tanto que nem reconheçamos seus contornos. Talvez, as faculdades se reinventem ou desapareçam como conhecemos. Talvez, a ansiedade apenas troque de nome e intensidade. Ou talvez, a essência humana dê um jeito de se adaptar, como sempre fez.

No fim das contas, nenhuma tecnologia conseguiu (ainda) substituir algo muito simples: o desconforto de não saber. É justamente desse desconforto que nascem as perguntas que realmente importam. Pode ser que o problema não seja a facilidade, mas sim o que estamos fazendo com ela.

P.S.: Vou continuar torcendo para que a Skynet nunca surja... Entendedores entenderão.

OPINION | Life for yesterday

I belong to the generation that had to learn how to use the internet, that had to attend college in person, but then had to adapt to distance education to complete postgraduate studies. After me came the generation that was born into a world with internet access, one that never knew what it was like to live without it. And more recently, “beings” have begun to be born into a world already shaped by artificial intelligence, where everything is relatively easy, where knowledge no longer needs to be stored because one can simply ask AI how to do something, where everything is needed for yesterday.

When I think about this evolution of generations, I sometimes feel uneasy. What will the job market look like? Will there be retirement? Will universities still have students? Will anxiety crises happen three times a day? Has everything become ephemeral?

And in the midst of these questions, I remember when waiting was part of life: waiting for the dial-up connection to complete that almost musical screech; waiting for the reply to a letter that took days; waiting for the teacher to arrive in the classroom, open the book, and calmly build a line of reasoning; waiting for a movie or a video game cartridge to return to the rental store, and so on. There was a time between wanting and having, and it was in that interval that we learned more than we realized.

Today, that interval has disappeared. The answer comes before the question has even had time to mature. And this, which seems so efficient, sometimes sounds like a strange silence, not the silence of absence, but of a lack of depth. Because knowing how to do something is not the same as understanding why it is done. Many people today do not even read the full text provided by AI; they simply do not have the patience.

It is a critique made with affection. After all, each generation carries its own conveniences and burdens. If before we struggled with lack of access, now we struggle with its excess. If before the problem was finding information, today it is trusting it. The obstacles change, but the journey continues.

Perhaps, the job market will change so much that we will no longer recognize its contours. Perhaps, universities will reinvent themselves or disappear as we know them. Perhaps, anxiety, this old acquaintance in new clothes, will simply change its name and intensity. Or perhaps, the human essence will find a way to adapt, as it always has.

In the end, no technology has yet managed to replace something very simple: the discomfort of not knowing. It is precisely from this discomfort that the questions that truly matter are born. It may be that the problem is not ease itself, but what we are doing with it.

P.S.: I will keep hoping that Skynet never comes into existence… Those who know know.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

CRÔNICA | A vulnerabilidade digital da terceira idade

Chamaram de avanço. De fato, é. A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital nasceu da urgência de proteger quem ainda está aprendendo a existir no mundo, agora também nas telas. Crianças precisam de cuidado, orientação, limites. Precisam de adultos por perto, inclusive no invisível das redes.

Mas, enquanto olhamos para os pequenos deslizando os dedos sobre telas coloridas, há outros dedos, mais lentos, mais hesitantes, tentando acompanhar um mundo que corre rápido demais. São mãos que já trabalharam décadas, que já escreveram cartas, assinaram papéis, apertaram outras mãos. Hoje, essas mesmas mãos recebem mensagens com links suspeitos, ligações urgentes, promessas de amor improvável.

O Brasil envelhece e, com ele, cresce a exposição de quem tem mais de 60 anos a uma nova forma de violência: a digital. Não é o assalto na esquina, não é o empurrão no ônibus. É algo mais silencioso: uma conversa gentil que vira golpe; um “bom dia” que termina em prejuízo; um “eu te amo” que custa caro demais; e por aí vai.

O Estatuto da Pessoa Idosa já nos ensinava, muito antes da internet dominar o cotidiano, que envelhecer é um direito (com dignidade, respeito e proteção). Porém, talvez, ainda não tenhamos entendido que essa proteção também precisa de Wi-Fi, precisa de informação acessível, de educação digital, de políticas públicas que enxerguem o idoso não como alguém “fora do sistema”, mas como alguém vulnerável dentro dele.

Enquanto ensinamos uma criança a não falar com estranhos na internet, quem ensina o idoso a desconfiar de quem fala bonito demais? Enquanto criamos mecanismos para proteger dados de jovens, quem protege a aposentadoria de quem confia?

A verdade é que o cuidado não pode ter idade limite. Não pode parar nos 18 anos. A vulnerabilidade muda de forma ao longo da vida, mas não desaparece. Às vezes, ela só troca de nome: deixa de ser “inocência” e passa a ser “confiança”.

É necessário ampliar nosso olhar e entender que proteger crianças no mundo digital é essencial, mas proteger idosos é urgente. Porque, no fim das contas, todos nós estamos atravessando o mesmo caminho. Só estamos em pontos diferentes dele. E, um dia, inevitavelmente, seremos nós do outro lado da tela.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

CRÔNICA | Ignorância é uma bênção?

Outro dia, entre uma aula e outra, uma aluna lançou uma fala que me deixou reflexivo: “Ignorância é uma bênção hoje em dia”. Disse isso com naturalidade, mas havia ali um peso que não se dissipava facilmente.

Fiquei a pensar no mundo que nos cerca, onde guerras são transmitidas quase em tempo real, discursos inflamados atravessam continentes, conflitos parecem não ter começo claro nem fim à vista, e por aí vai. Há dias em que abrir um portal de notícias é como mirar o caos. Não é exagero dizer que saber demais pode, sim, adoecer.

A informação, que um dia foi promessa de liberdade, virou um fardo também. Saber implica carregar. E carregar, às vezes, cansa. Quem acompanha tudo sente o peso das decisões políticas, das disputas de poder e das tragédias repetidas com pequenas variações. A mente não desliga; o coração não acompanha.

Nesse sentido, a ignorância parece oferecer um tipo estranho de conforto: quem não sabe não sofre da mesma forma; quem não acompanha dorme melhor. Há uma leveza em não se envolver com o que está distante, em não se responsabilizar emocionalmente por aquilo que foge ao nosso controle.

Mas, atenção, essa leveza tem um preço. Ignorar o mundo não o torna menos real. Os conflitos continuam, as decisões continuam sendo tomadas, as consequências continuam chegando, ainda que mais tarde e mais perto. A ignorância protege, mas também limita. Ela anestesia, mas também enfraquece.

Há uma diferença importante entre não saber e escolher como saber. Talvez, o problema não esteja na informação em si, porém na forma como nos relacionamos com ela. Consumir tudo o tempo todo, como se fosse possível dar conta do mundo inteiro, é receita certa para o esgotamento. Por outro lado, fechar os olhos completamente é abrir mão de compreender o próprio tempo.

Penso que, entre o excesso e a ausência, há um caminho mais difícil: o da consciência seletiva. Com ela, é possível informar-se, mas com critério; entender, mas sem se afogar; reconhecer os problemas do mundo sem permitir que eles destruam a capacidade de viver.

Ignorância pode até parecer uma bênção em dias mais pesados. No entanto, quiçá, não seja exatamente uma bênção, e sim um alívio temporário. E como alívio fácil, ela pode cobrar depois. No fim, não se trata de saber tudo ou nada saber. Trata-se de aprender a suportar o que se sabe e, principalmente, de decidir o que vale a pena carregar.

OPINION | Is ignorance a blessing?

The other day, between one class and another, a student made a remark that left me reflective: “Ignorance is a blessing nowadays.” She said it naturally, but there was a weight there that did not dissipate easily.

I found myself thinking about the world around us, where wars are broadcast almost in real time, heated speeches cross continents, conflicts seem to have neither a clear beginning nor an end in sight, and so on. There are days when opening a news portal feels like staring into chaos. It is no exaggeration to say that knowing too much can, indeed, make one ill.

Information, which was once a promise of freedom, has also become a burden. Knowing implies to carry. And carrying, at times, is exhausting. Those who follow everything feel the weight of political decisions, power disputes and tragedies repeated with slight variations. The mind does not switch off; the heart cannot keep up.

In this sense, ignorance seems to offer a strange kind of comfort: those who do not know do not suffer in the same way; those who do not follow sleep better. There is a lightness in not getting involved with what is distant, in not taking emotional responsibility for what lies beyond our control.

But, attention, this lightness comes at a price. Ignoring the world does not make it any less real. Conflicts continue, decisions continue to be made, consequences continue to arrive, even if later and closer. Ignorance protects, but it also limits. It numbs, but it also weakens.

There is an important difference between not knowing and choosing how to know. Perhaps the problem does not lie in information itself, but in the way we relate to it. Consuming everything all the time, as if it were possible to grasp the entire world, is a certain recipe for exhaustion. On the other hand, closing one’s eyes completely is to give up understanding one’s own time.

I think that, between excess and absence, there is a more difficult path: that one of selective awareness. With it, it is possible to stay informed, but with discernment; to understand, but without drowning; to recognize the world’s problems without allowing them to destroy the capacity to live.

Ignorance may even seem like a blessing on heavier days. However, perhaps it is not exactly a blessing, but rather a temporary relief. And like an easy relief, it may charge its price later. In the end, it is not about knowing everything or knowing nothing. It is about learning to bear what one knows and, above all, deciding what is worth carrying.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

CRÔNICA | Juventude como obrigação moral

Há tempo, eu deveria ter escrito esta crônica, mas, como quase sempre, falta tempo para as coisas boas da vida. No entanto, agora em minhas pseudoférias (um dia, conto o porquê disso), acabei revendo o filme "A substância", com Demi Moore. Então, nasceu o texto.

Há um momento no filme em que fica claro que o terror não está no laboratório, nem na seringa, nem no espelho. O horror verdadeiro é social. É o contrato silencioso que assinamos sem ler, a saber: envelhecer, sim, mas discretamente. Preferencialmente, sem rugas, sem flacidez, sem sinais de que o tempo inconveniente passou por nós.

Demi Moore, a meu ver, não interpreta apenas uma personagem. Ela encarna um arquétipo contemporâneo: o corpo que vence enquanto obedece. Jovem, produtivo, desejável. Quando deixa de cumprir tais funções, passa a ser um problema a ser corrigido, otimizado e até substituído. Isso não é ficção científica.

Vivemos a era da juventude compulsória. Não basta ser competente, experiente ou inteligente. É preciso parecer tudo isso sem jamais parecer cansado. O cansaço envelhece. A maturidade pesa. A serenidade não viraliza na internet. O algoritmo prefere a pele esticada, o sorriso treinado e a energia artificial de quem ainda finge que acabou de começar seja lá o que for.

O envelhecimento, que já foi sinal de autoridade, virou falha de caráter. Rugas são lidas como descuido. Cabelos brancos, como desistência. O corpo maduro não inspira respeito, inspira pena. Ou pior: invisibilidade.

"A substância" expõe essa lógica com crueldade. A promessa é simples e obscena: você pode continuar relevante, desde que aceite se fragmentar. Uma versão sua para o mundo e outra descartável, escondida, envelhecendo em silêncio. Parece absurdo no cinema. Fora dele, isso tem sido chamado de gestão da imagem pessoal. E há profissionais que ganham bem para isso.

O mais perverso é que não se trata apenas de aparência. A juventude exigida hoje é estética, emocional e moral. Esperam-se entusiasmo eterno, flexibilidade infinita e adaptação sem luto. Envelhecer implica dizer “não”, estabelecer limites, recusar certas humilhações. Isso não combina com o mercado.

No fundo, o filme nos faz perguntas incômodas: até que ponto estamos dispostos a nos mutilar simbolicamente para continuar desejáveis? Quantas versões de nós mesmos já sacrificamos em nome de aceitação, curtidas, contratos, convites que só chegam enquanto aparentamos frescor?

Entretanto, o corpo envelhece. Isso é biologia. O problema é a sociedade que envelhece mal, apavorada com o espelho, incapaz de lidar com o tempo sem tentar burlá-lo. Se pensarmos bem, "A substância" não fala sobre juventude, fala sobre medo. E ele, ao contrário das rugas, não se disfarça com maquiagem.

E por falar em medo, eu é que tenho medo de perguntar aqui: você usariam a substância do filme? Não mintam! Podem me responder de forma privada.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

CRÔNICA | Fim do ano, ou fim do mundo?

A cada dezembro, acontece um fenômeno curioso, quase antropológico: as pessoas não encerram o ano, elas entram em colapso. O calendário avança um número e, de repente, a humanidade passa a se comportar como se estivesse evacuando o planeta.

Há pressa em tudo: no trânsito, nos mercados, nas farmácias, nos caixas eletrônicos e, principalmente, nas emoções. Todos parecem atrasados para algum compromisso invisível, como se o dia 31, à meia-noite, fosse acompanhado por uma sirene e um fiscal existencial, cobrando pendências da alma.

Os supermercados viram arenas. Carrinhos disputam território. Pessoas brigam por uvas passas. O frango natalino, coitado, é tratado como entidade sagrada: se acabar, acaba o ano junto.

Nas ruas, motoristas dirigem como se o asfalto fosse desaparecer em 48 horas. Não é pressa, é desespero. Setas são ignoradas, gentileza entra em recesso coletivo. Ninguém quer chegar rápido; quer fugir.

Na área afetiva, o surto é ainda mais sofisticado. Surge a urgência de rever pessoas que passaram o ano inteiro sendo ignoradas, enviar mensagens genéricas recheadas de votos grandiosos e promessas vagas de “ano novo, vida nova”. A esperança é terceirizada para o calendário, como se janeiro tivesse poderes terapêuticos (ou mágicos).

Há, também, o pânico das listas: metas não cumpridas, projetos abandonados, corpos não esculpidos, contas não pagas, livros não lidos, etc. Dezembro vira um tribunal, onde todos se condenam por não terem sido versões irreais de si mesmos. Há julgamento e culpa (muita).

No fundo, essa afobação não é sobre festas, compras ou retrospectivas: é medo. Medo de que o tempo esteja passando rápido demais e alguém esteja percebendo. Medo de encarar que a vida não se organiza sozinha, só porque o calendário muda. Medo de admitir que o ano acaba, sim, mas os problemas, hábitos e escolhas atravessam a fronteira sem pedir autorização.

Talvez, fosse mais honesto tratar o fim do ano como ele realmente é: apenas o fim de um ano, sem histeria, sem correria, sem encenação coletiva de que algo sobrenatural está prestes a acontecer. Aqui vai um "spoiler": não está.

O mundo não acaba no dia 31. Sua ansiedade também não. Ainda assim, caro leitor, desejo-lhe: boas festas...

terça-feira, 18 de novembro de 2025

CRÔNICA | Costurados de nós mesmos

Guillermo del Toro, com aquela devoção enorme e quase religiosa por monstros, fez em “Frankenstein” algo que Mary Shelley já sussurrava e que nós fingimos não ouvir: a criatura não é um erro, é um espelho daqueles que devolvem a verdade sem filtro de beleza.

O monstro nasce de pedaços. Mas sejamos francos: quem não? Depois de ter visto o filme, o qual está disponível no catálogo da Netflix, passei a refletir sobre ele como um todo, não apenas como uma releitura do livro e de outras películas passadas.

Também somos um mosaico malcomportado de tudo o que tocou nossa vida: as decisões que tomamos por impulso, os medos herdados, as cicatrizes de quem nos amou mal, as lembranças de quem nos amou corretamente, os erros familiares, etc. Nada em nós é puro ou original. Somos editados, costurados com linhas de afetos e grampeados com traumas que superamos (ou fingimos ter superado).

A diferença é que o monstro de Del Toro nada tenta disfarçar. Ele exibe a costura. Nós, não, passamos a vida inteira nos debatendo para esconder pontos soltos, como se vulnerabilidade fosse defeito de fabricação e demonstrasse fraqueza. Ironicamente, é isso que nos aproxima ainda mais da criatura: vivemos com a sensação de que estamos sempre fora do lugar, sempre tentando provar que merecemos existir, sempre acreditando que, se alguém olhar perto demais, verá a colcha de retalhos emocional que somos.

No fundo, a verdade incômoda é simples: somos todos um pouco o monstro de Frankenstein, carregando dentro de nós pedaços de gente que passou, de dores que ficaram, de memórias que insistem em retornar. E se há algo bonito nisso, é que, apesar da colagem imperfeita, seguimos caminhando com nossas cicatrizes, nossos retalhos e uma estranha persistente em pulsar, mesmo quando o mundo diz que não deveríamos fazer isso.

Será que Del Toro sempre soube que o monstro só parece assustador para quem ainda não aprendeu a se enxergar? E nós sabemos? Nossos pedaços souberam? Vamos pensando...

sábado, 28 de junho de 2025

Reflexões sobre o lançamento do "Enquanto isso 2"

Na terça (24), aconteceu o lançamento do volume 2 da obra "Enquanto isso, em Santo Antônio...", mas só hoje consegui ter um tempo para escrever sobre isso. Fiz parte da comissão organizadora do livro, então, sinto-me à vontade para refletir acerca.

Investimento
Que coisa tão boa ver o governo federal investindo em cultura! A Política Nacional Aldir Blanc tem possibilitado que muitas manifestações culturais saiam do campo das ideias e tornem-se realidade. No ano passado, fiz parte da comissão que organizou o volume 1 da citada obra, a qual foi feita com recursos da Lei Paulo Gustavo. Não imaginávamos que surgiria o volume 2. Ou seja, foram dois livros feitos com grana da União dada a municípios que se cadastraram corretamente com bons planos de ação. Torço para que isso continue ocorrendo, a fim de que mais literatura seja feita. Parabéns aos governos federal e municipal!

Inclusão
Outro fato muito bom foi ver pessoas que, dificilmente, teriam alguma publicação oficial estarem na obra lançada. No volume 1, contamos com textos de alunos do Ensino Médio de escolas públicas locais. No 2, foi a vez do pessoal que faz parte do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Achei o máximo ver adolescentes, na hora do coquetel, sentados juntos, trocando seus exemplares, colhendo autógrafos uns dos outros. Curti, também, saber que, na obra, há poemas de duas senhoras que não sabem ler e escrever. Mesmo assim, ditando seus versos, tornaram-se autoras. Houve, ainda, o relato de uma senhora que disse mais ou menos assim: "Tenho setenta e poucos e anos e nunca me imaginei dando um autógrafo". Gratificante, não?

Um tempo
Dois dias após o lançamento, uma senhora integrante do Grêmio Literário Patrulhense colocou no grupo de WhatsApp da entidade que o título de seu poema saiu errado, uma letrinha foi trocada. Quem me conhece sabe o quanto sou perfeccionista. Sabe, também, que, mesmo recebendo cem elogios, se eu receber uma crítica negativa, esta ficará sendo repetidamente lembrada por mim, como se as coisas boas fossem anuladas e só a ruim tivesse vida. Caso de terapia, eu sei. Porém isso me fez refletir que estou no GLP desde 2013 e, de lá até aqui, já participei da organização de muitas obras. Só quem faz isso sabe o quão estressante é lidar com a expectativa e com a opinião de muitas pessoas. Por isso, é chegada a hora de dar um tempo em trabalhos voluntários. É hora de outras cabeças (mais velhas ou mais novas do que a minha) assumirem a responsabilidade de organizar publicações. Não pretendo mais, portanto, fazer isso em minha cidade.

Postas as três reflexões, preciso mencionar que o trabalho voluntário dos outros membros da comissão foi excelente! Obrigado, Monique Rodrigues, Rosalva Rocha, Mário Antônio Barcelos e Viviana Ungaretti, pela parceria!

Lembro a todos que a obra pode ser baixada gratuitamente em pdf e ouvida no YouTube. Basta clicar aqui para ter acesso aos dois conteúdos.

E agora, alguns registros fotográficos do lançamento. É isso.






sábado, 26 de abril de 2025

Estudo sobre o Conselho Municipal de Cultura

Em 2024, fiz uma pesquisa sobre a efetividade do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Cultura de Santo Antônio da Patrulha/RS. Foi o trabalho de conclusão da pós-graduação Gestão Pública Municipal (FURG). Recentemente, houve a publicação deste artigo, que compartilho com vocês. Para lê-lo, clique aqui.




segunda-feira, 6 de maio de 2024

CRÔNICA | “Empatia”, a palavra do momento no Rio Grande do Sul

Nos últimos dias, eu e uma tia estivemos em Parobé/RS, uma das cidades atingidas pelas graves enchentes, para prestar algum tipo de ajuda. Foi muito triste ver as pessoas perderem tudo ou quase tudo. Logicamente, perder a vida é o pior, mas a sensação de chegar a um local e ver, nas frentes das casas, o que antes estava dentro delas é horrível. Pertences que, muitas vezes, foram adquiridos com trabalho e suor descartados por não prestarem mais. Foram cenas que, realmente, me impactaram.

Em dado momento, vieram uma retroescavadeira e um caminhão da Prefeitura, a fim de recolher os agora entulhos. Que coisa tão agoniante ver o que sobrou de sofás, camas, eletrodomésticos, etc. irem para dentro de uma caçamba, para serem descartados em seguida. Fiquei pensando que era uma parte da vida daquelas pessoas indo embora. E uma parte cara.

Mesmo tendo ocorrido extremos climáticos em 2023, o governo estadual não se preparou para um novo evento assim. “Ah, Márnei, mas não havia como prever que seria tão grave”. Discordo um pouco disso, pois dar porcentagem mínima para a Defesa Civil no orçamento é uma forma de previsão, não? Cientistas, há anos, informam que eventos assim serão cada vez mais comuns, e nosso estado – no sul do país – terá, sim, chuvas intensas com muita frequência. Não será de vez em quando.

Seja como for, o que quero destacar neste texto é a empatia das pessoas. “Empatia”, inclusive, é a palavra para o Rio Grande do Sul no momento. Colocar-se no lugar do outro, entender a dor dele, imaginar como seria se eu perdesse tanto quanto ele. Uma pena que essa empatia surge apenas nas desgraças. Se ela fosse algo constante, teríamos sucesso como sociedade, não agrediríamos tanto Gaia (a Terra) e não estaríamos sofrendo sua vingança agora.

Empatia, gaúchos e brasileiros! Tenham-na! Ajudem quem precisa! Sempre é possível fazer algo.

Restos do que, antes, compunha as casas...

... sendo recolhidos como entulhos agora...

... indo embora das vidas das pessoas.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

CRÔNICA | Desconhecimento juvenil


Recentemente, faltou luz em toda a cidade. Mais um "presente" diário da Equatorial a nós. Conversa vai, conversa vem, uma estagiária de 17 anos, preocupada em como aqueceria seu almoço, questionou uma colega: "Como vocês esquentavam comida antes do micro-ondas?" Apavorada, a colega respondeu a ela: "Ué? Com o fogão". Para fechar com chave de ouro, a estagiária disse: "É que sou nova, tenho apenas 17 anos".

Em outro setor, outra colega solicitou a seu estagiário que fizesse algumas ligações telefônicas, para dar recados a usuárias do serviço. Colocou o telefone fixo na frente dele e saiu. Quando voltou, o guri estava empurrando os números para cima, como se estivesse mexendo numa tela de celular. A colega, então, ensinou a ele como funcionava um telefone "tradicional", o fixo.

Ambas as situações causam apavoramento, a meu ver. Primeiro, porque as coisas evoluem com tanta rapidez, que não conseguimos acompanhá-las. Segundo, porque o desconhecimento juvenil parece maior, quando se trata de coisas que não são do dia a dia deles, os adolescentes. "Ah, Márnei, mas eles não têm obrigação de saber tudo", algum vai me dizer. No entanto, com tanta tecnologia, com tanta internet, com tanta globalização, não é possível pesquisar tais dúvidas para enfrentar um pequeno problema?

Sei lá. Ou eu estou velho demais, ou as gerações estão modernas demais. Quem sabe?

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

OPINIÃO | A vingança de Gaia

Rio de Janeiro com sensação térmica de quase 60 graus. Rio Grande do Sul com um dilúvio de meses. Tremores constantes na Islândia. Três exemplos apenas. Quem poderia imaginar que, após séculos de abuso por parte da humanidade, a Terra estaria fazendo isso? Sim, houve deboche na pergunta.

A mudança climática é anunciada por cientistas há muito tempo. O consumo desenfreado, a extração de recursos, o desmatamento e mais um monte de ações, certamente, trariam consequências ao nosso lar. Até que demorou a meu ver.

James Lovelock, criador da Teoria de Gaia e autor de "A vingança de Gaia", já havia alertado sobre isso. Os escritos dele foram muito importantes para mim, quando lá em 2015, fiz a pós-graduação Educação Ambiental (FURG). Lembro que, até o último momento, fui criticado pelos professores, pois não poderia fazer um trabalho de conclusão baseado apenas numa teoria. "Virou e mexeu", no fim das contas, mudaram até o título do meu artigo. Ocorre que a Teoria de Gaia saiu da teoria e entrou na prática. E a vingança dita por Lovelock parece ter começado também. A propósito: a palavra "Gaia" refere-se ao planeta Terra.

Quando eu ainda estava atuando como docente na educação básica, abordei o tema com os alunos nos tempos do Ensino Médio Politécnico gaúcho. Lembram-se dele? Ele exigia projetos, interdisciplinaridade e mais um tanto de coisas boas na educação. Pena que já se foi.

Seja como for, escrevi uma coisinha e outra sobre a Hipótese de Gaia. É assunto importante, urgente e necessário a todos. O link de um dos textos está a seguir.

Educação Ambiental a partir de uma experiência de formação continuada: clique aqui.

sexta-feira, 24 de março de 2023

OPINIÃO | This is us: um drama para (quase) chamar de nosso

Nas últimas semanas, eu até que tentei economizar, porém não consegui: devorei todas as seis temporadas da série americana This is us (disponível no Star Plus). Embora ela tenha iniciado em 2016, só tive contato com ela agora em 2023, depois que já tinha terminado.

Gente, posso dizer com toda a convicção: foi a melhor série que já vi na vida. Dificilmente, serei capaz de falar isso sobre uma outra. Mas por quê? Vou tentar explicar.

This is us é um drama que conta a estória da família Pearson. Do nada, Jack e Rebecca se veem pais de trigêmeos, sendo que um falece logo após o parto, sendo substituído, com o consenso deles, por um bebê negro que fora abandonado no mesmo dia. Isso ocorre no primeiro episódio, ou seja, já no início, a série prende o espectador.

Daí por diante, acompanhamos o desenvolver de todos os personagens, isto é, dos pais, dos três filhos, seus relacionamentos, suas frustrações, o que gostariam de ser na vida e não conseguiram, ou, então, o que não esperavam ser, a relação por vezes conturbada com cônjuges, afetos, tudo num vem-e-vai fascinante, conectando presente e passado a cada novo episódio.

Não há como não se identificar com as histórias. E o choro é livre nos capítulos. Quantos de nós, já com certa idade, passamos a repensar nossas vidas? O que temos hoje é o que planejamos no passado? Algum fato, no meio do trajeto, ocorreu e mudou tudo do nada? Qual o momento certo para transformar algo? Sobre essas e outras questões, somos capazes de refletir durante a série. É como se fosse uma sessão de terapia/análise a cada episódio.

Não sei quanto a vocês, mas eu, que já estou com ... anos de idade, comecei a remoer/relembrar/revisitar coisas do passado, buscando conexões com o presente, tentando programar um futuro. E não é bobice dizer que This is us me incentivou nesse sentido. Até terapia passei a fazer. Que coisa, né?

Fica a dica, então, a você que, por acaso, está à procura de alguma série inspiradora com conteúdo que, de fato, permeia a vida real. Uma pena que ela acabou, entretanto, a nossa vida continua, isto é, o drama dura, restando a nós dar um final (quiçá, feliz) a ele.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

OPINIÃO | A (in)utilidade da educação

Hoje (11/10/22), o Facebook me lembrou de um texto sobre educação que publiquei no Jornal do Comércio em outubro de 2018. Lendo-o novamente, reparei que pouca coisa mudou de lá para cá. Concordam?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

OPINIÃO | Tudo deu errado, ou nada deu certo?

Tínhamos tantas expectativas para 2021, não é verdade?

Imaginamos que a pandemia de coronavírus já estivesse controlada, que o ciclo vacinal de mais pessoas estivesse completo, que as aulas pudessem voltar totalmente ao modo presencial, que fôssemos capazes de curtir eventos sem a preocupação de contaminação, que os preços de todas as coisas estivessem mais baixos, que não houvesse tantos escândalos na política e mais uma infinidade de desejos.

Já é dezembro, e podemos perceber que nem tudo saiu como pensamos que seria. Aliás, muitas coisas deram errado. Uma pena.

Recentemente, num perfil de humor do Instagram, vi a seguinte colocação: “Minha vida é tudo ou nada. Ou tudo dá errado, ou nada dá certo”. Seria essa a cara de 2021? Uma repetição de 2020?

Seja como for, não podemos deixar a peteca cair. Por mais difícil que seja, necessitamos ter certo otimismo para acreditar em dias melhores. E isso aqui não é papo de “coach”, dizendo que tudo depende de você. Na verdade, é papo de quem tem enfrentado as adversidades assim como todo mundo. Se olharmos mais para as coisas boas que acontecem, por menores que sejam, isso já nos trará conforto.

O filósofo Arthur Schopenhauer disse: “Pensamos raras vezes no que temos, mas sempre no que nos falta”. Tal pensador tem fama de pessimista, mas acerta muito nessa frase. Que tal fazermos o mesmo?

Se as coisas não saíram como quisemos em 2021, vamos imaginar que tudo (ou algo) vai melhor em 2022. “Bora” curtir então?! Como diz uma amiga e ex-colega de trabalho, “avante sempre!

Bom fim de ano e excelente (assim espero) 2022 a todos!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

OPINIÃO | A pandemia melhorou o ser humano... Oi?

Poucos meses depois do início da pandemia, nós pensamos que ela serviria para melhorar o ser humano, a fim de que ele evoluísse como indivíduo que vive coletivamente. No entanto, um ano após, isso ocorreu? Vejamos:

"Eu sendo vacinado, está bom. O resto é o resto."

"Meu comércio ficando aberto, está bom. Os outros que lutem."

"Eu tendo como me manter, está bom. Os outros que se virem."

"Vou fazer festa. Se pegar COVID, sou jovem."

"Eles morreram não por culpa do coronavírus, mas porque tinham outros problemas ou eram velhos." 

As frases acima são familiares a você? Com adaptações, você já as ouviu? Já as disse?

Pois é. Talvez, a dita evolução ainda demore bastante...