terça-feira, 28 de abril de 2026

E-BOOK | Escreva melhor já!

Apresento-lhes um e-book bem simples, direto, eficaz e barato: "Gêneros Literários na Prática". Ele coloca, como o nome diz, a disciplina de Literatura em prática, saindo da pura teoria. Você (aluno, professor, escritor ou amante da leitura/escrita) será capaz de analisar e produzir textos facilmente com ele, eu prometo!Para quem não sabe, os gêneros literários são o lírico, o narrativo e o dramático. Na obra, há breves explicações sobre como eles são, bem como exercícios de análise e escrita de textos, isto é, as mãos vão à obra de fato.

Para adquirir o e-book, clique aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

LITERATURA ACESSÍVEL | Baixe a obra "Simples intrínseco" gratuitamente


Confesso que lírico não é meu gênero literário favorito. Por isso, tenho apenas um livro dedicado a textos assim, o qual foi lançado em 2014. Confesso, ainda, que, hoje, mais de 10 anos depois, eu não teria escrito alguns poemas da forma como ficaram no livro, o que é algo muito natural, já que envelhecemos e queremos aprimorar nossa escrita. Seja como for, disponibilizo-o gratuitamente a vocês, leitores.

Baixe a obra, clicando aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

LITERATURA | Bate-papo sobre leitura e escrita


Recentemente, participei da atividade "Happy Hour com o Professor", na Escola Mundo Office, onde conversei com o professor Eduardo Fraga sobre literatura, leitura e escrita. Foi uma hora bem descontraída e com informações bem relevantes.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

CRÔNICA | A vulnerabilidade digital da terceira idade

Chamaram de avanço. De fato, é. A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital nasceu da urgência de proteger quem ainda está aprendendo a existir no mundo, agora também nas telas. Crianças precisam de cuidado, orientação, limites. Precisam de adultos por perto, inclusive no invisível das redes.

Mas, enquanto olhamos para os pequenos deslizando os dedos sobre telas coloridas, há outros dedos, mais lentos, mais hesitantes, tentando acompanhar um mundo que corre rápido demais. São mãos que já trabalharam décadas, que já escreveram cartas, assinaram papéis, apertaram outras mãos. Hoje, essas mesmas mãos recebem mensagens com links suspeitos, ligações urgentes, promessas de amor improvável.

O Brasil envelhece e, com ele, cresce a exposição de quem tem mais de 60 anos a uma nova forma de violência: a digital. Não é o assalto na esquina, não é o empurrão no ônibus. É algo mais silencioso: uma conversa gentil que vira golpe; um “bom dia” que termina em prejuízo; um “eu te amo” que custa caro demais; e por aí vai.

O Estatuto da Pessoa Idosa já nos ensinava, muito antes da internet dominar o cotidiano, que envelhecer é um direito (com dignidade, respeito e proteção). Porém, talvez, ainda não tenhamos entendido que essa proteção também precisa de Wi-Fi, precisa de informação acessível, de educação digital, de políticas públicas que enxerguem o idoso não como alguém “fora do sistema”, mas como alguém vulnerável dentro dele.

Enquanto ensinamos uma criança a não falar com estranhos na internet, quem ensina o idoso a desconfiar de quem fala bonito demais? Enquanto criamos mecanismos para proteger dados de jovens, quem protege a aposentadoria de quem confia?

A verdade é que o cuidado não pode ter idade limite. Não pode parar nos 18 anos. A vulnerabilidade muda de forma ao longo da vida, mas não desaparece. Às vezes, ela só troca de nome: deixa de ser “inocência” e passa a ser “confiança”.

É necessário ampliar nosso olhar e entender que proteger crianças no mundo digital é essencial, mas proteger idosos é urgente. Porque, no fim das contas, todos nós estamos atravessando o mesmo caminho. Só estamos em pontos diferentes dele. E, um dia, inevitavelmente, seremos nós do outro lado da tela.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

CRÔNICA | Ignorância é uma bênção?

Outro dia, entre uma aula e outra, uma aluna lançou uma fala que me deixou reflexivo: “Ignorância é uma bênção hoje em dia”. Disse isso com naturalidade, mas havia ali um peso que não se dissipava facilmente.

Fiquei a pensar no mundo que nos cerca, onde guerras são transmitidas quase em tempo real, discursos inflamados atravessam continentes, conflitos parecem não ter começo claro nem fim à vista, e por aí vai. Há dias em que abrir um portal de notícias é como mirar o caos. Não é exagero dizer que saber demais pode, sim, adoecer.

A informação, que um dia foi promessa de liberdade, virou um fardo também. Saber implica carregar. E carregar, às vezes, cansa. Quem acompanha tudo sente o peso das decisões políticas, das disputas de poder e das tragédias repetidas com pequenas variações. A mente não desliga; o coração não acompanha.

Nesse sentido, a ignorância parece oferecer um tipo estranho de conforto: quem não sabe não sofre da mesma forma; quem não acompanha dorme melhor. Há uma leveza em não se envolver com o que está distante, em não se responsabilizar emocionalmente por aquilo que foge ao nosso controle.

Mas, atenção, essa leveza tem um preço. Ignorar o mundo não o torna menos real. Os conflitos continuam, as decisões continuam sendo tomadas, as consequências continuam chegando, ainda que mais tarde e mais perto. A ignorância protege, mas também limita. Ela anestesia, mas também enfraquece.

Há uma diferença importante entre não saber e escolher como saber. Talvez, o problema não esteja na informação em si, porém na forma como nos relacionamos com ela. Consumir tudo o tempo todo, como se fosse possível dar conta do mundo inteiro, é receita certa para o esgotamento. Por outro lado, fechar os olhos completamente é abrir mão de compreender o próprio tempo.

Penso que, entre o excesso e a ausência, há um caminho mais difícil: o da consciência seletiva. Com ela, é possível informar-se, mas com critério; entender, mas sem se afogar; reconhecer os problemas do mundo sem permitir que eles destruam a capacidade de viver.

Ignorância pode até parecer uma bênção em dias mais pesados. No entanto, quiçá, não seja exatamente uma bênção, e sim um alívio temporário. E como alívio fácil, ela pode cobrar depois. No fim, não se trata de saber tudo ou nada saber. Trata-se de aprender a suportar o que se sabe e, principalmente, de decidir o que vale a pena carregar.

OPINION | Is ignorance a blessing?

The other day, between one class and another, a student made a remark that left me reflective: “Ignorance is a blessing nowadays.” She said it naturally, but there was a weight there that did not dissipate easily.

I found myself thinking about the world around us, where wars are broadcast almost in real time, heated speeches cross continents, conflicts seem to have neither a clear beginning nor an end in sight, and so on. There are days when opening a news portal feels like staring into chaos. It is no exaggeration to say that knowing too much can, indeed, make one ill.

Information, which was once a promise of freedom, has also become a burden. Knowing implies to carry. And carrying, at times, is exhausting. Those who follow everything feel the weight of political decisions, power disputes and tragedies repeated with slight variations. The mind does not switch off; the heart cannot keep up.

In this sense, ignorance seems to offer a strange kind of comfort: those who do not know do not suffer in the same way; those who do not follow sleep better. There is a lightness in not getting involved with what is distant, in not taking emotional responsibility for what lies beyond our control.

But, attention, this lightness comes at a price. Ignoring the world does not make it any less real. Conflicts continue, decisions continue to be made, consequences continue to arrive, even if later and closer. Ignorance protects, but it also limits. It numbs, but it also weakens.

There is an important difference between not knowing and choosing how to know. Perhaps the problem does not lie in information itself, but in the way we relate to it. Consuming everything all the time, as if it were possible to grasp the entire world, is a certain recipe for exhaustion. On the other hand, closing one’s eyes completely is to give up understanding one’s own time.

I think that, between excess and absence, there is a more difficult path: that one of selective awareness. With it, it is possible to stay informed, but with discernment; to understand, but without drowning; to recognize the world’s problems without allowing them to destroy the capacity to live.

Ignorance may even seem like a blessing on heavier days. However, perhaps it is not exactly a blessing, but rather a temporary relief. And like an easy relief, it may charge its price later. In the end, it is not about knowing everything or knowing nothing. It is about learning to bear what one knows and, above all, deciding what is worth carrying.

domingo, 8 de março de 2026

LITERATURA ACESSÍVEL | Baixe a obra "Sequências" gratuitamente

Clique aqui para baixar a obra.

Sequências, a vida é feita delas. Damos sequência a algo que outros começaram, a coisas ruins que se perpetuam, a bondades que, às vezes, podem nos cansar e, também, damos continuidade a ações que nós mesmos fazemos consciente ou inconscientemente.

“Sequências” foi o título que eu, Marilani Bernardes e Rosalva Rocha, integrantes do Grêmio Literário Patrulhense, escolhemos para este livro, o qual se originou de exercícios literários da Pragmatha Editora, em 2022. São continuações ficcionais que, por vezes, espelham-se, em parte, em realidades vividas por nós ou por conhecidos nossos.

Sequências literárias… Foi isso que escrevemos. Uma literatura por demanda que demandou criatividade, brevidade e coragem.

domingo, 1 de março de 2026

LITERATURA ACESSÍVEL | Baixe a obra "Sim, eu conto" gratuitamente

Lancei o livro de contos "Sim, eu conto" em 2024, na Feira do Livro de Santo Antônio da Patrulha. Ainda tenho alguns exemplares físicos à venda, mas penso ser a hora de compartilhar a obra gratuitamente com vocês, leitores.

Baixe o livro clicando aqui.

Sinara Foss, sobre o livro, escreveu: "A técnica usada na maioria de seus textos permite ao leitor vivenciar a narrativa através de ações, palavras, pensamentos, sentidos e sentimentos. O texto do Márnei Consul nos pega pela mão desde a primeira palavra e nos convida a fazer parte do enredo. Participamos de cada cena, espiamos, ouvimos os murmúrios dos personagens, queremos interferir, aconselhar, avisar... Não somos apenas meros leitores."

Eduardo Jablonski também escreveu sobre o livro: "Alguns contos, como 'Morangos', têm a característica do miniconto, pois convida o leitor a preencher 'o espaço entre a letra e o espírito, como dizia Roland Barthes. Se literatura é palavra rica em significação, segundo o conceito de Ezra Pound, sugerir mais do que vem no texto é prova de qualidade. Os 'morangos aqui podem, eventualmente, trazer alguma referência literária a 'Os morangos mofados', de Caio Fernando Abreu. Talvez, seja uma homenagem ou traga alguma simbologia a mais. 'Do nada' também é um miniconto e, pela sua concisão, aproxima-se da poesia com a figura de linguagem do desfecho: 'Colocou o primeiro pé na faixa de segurança, e o segundo no inferno...'".

domingo, 22 de fevereiro de 2026

LITERATURA ACESSÍVEL | Baixe a obra "Rivais" gratuitamente


A série "Rivais" foi escrita por mim em três pequenas partes: "O estranho caso das rivais" (2015), "O intrigante jogo das rivais" (2016) e "O inevitável fim das rivais" (2017). Em 2019, tive a ideia de unir tais partes numa obra única, intitulada apenas "Rivais".

Sinopse:
Davi e sua mãe, Isabela, têm uma vida conturbada devido a uma doença incurável e a problemas inevitáveis de relacionamento. Embora sempre tentem recomeçar e ter uma vida tranquila, fantasmas do passado não permitem tais ações. Além disso, a ocorrência de uma morte desencadeia surtos terríveis.

Ficou curioso? Então, baixe a obra gratuitamente, clicando aqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CONTO | Volta às aulas

Na segunda-feira em que o filho voltou às aulas da educação infantil, Martha acordou antes do despertador. Não por amor à rotina, mas por alívio. Preparou o café com uma alegria doméstica quase indecente, cantarolando enquanto cortava o pão em fatias tortas. Vestiu o menino com cuidado excessivo: mochila pronta, lanche saudável e beijo na testa. Na porta da escola, acenou mais tempo do que o necessário. Quando o portão se fechou, respirou fundo: estava oficialmente livre por quatro horas.

Chamava aquilo de “tempo para si”, expressão que aprendera em postagens femininas e aplicava com rigor seletivo. Seu tempo para si tinha nome, cheiro de loção barata e o dom inconveniente de fazê-la rir das próprias mentiras: chamava-se Paulo e morava a sete quarteirões dali, num apartamento antigo com elevador lento e um sofá que rangia.

Martha chegou pontualmente como sempre. Tirou os sapatos, largou a bolsa no chão e beijou Paulo com a pressa de quem sabe que o relógio conspira contra. Riram de banalidades. Ela comentou que o filho adorara a professora nova; ele respondeu que o prédio estava com problemas no gás. Coisas pequenas, ditas entre um beijo e outro.

Depois, decidiram fazer café. Paulo colocou água para ferver numa panela antiga, herança de uma tia. Martha, num gesto automático, tentou alcançar a xícara mais alta do armário, apoiando-se numa cadeira. A cadeira cedeu com um estalo seco. Martha caiu para trás, rindo antes mesmo de sentir dor, e o riso se misturou a um grito breve quando a panela, traída pela gravidade, virou-se inteira sobre ela.

A água fervente encontrou o corpo cruelmente. Paulo tentou ajudá-la, escorregou no chão molhado, bateu a cabeça na quina da mesa. Por um segundo, ambos ficaram imóveis. Martha ainda conseguiu dizer “que coisa idiota”, com a voz já estranha, antes de o silêncio se impor.

Quando os vizinhos ouviram o barulho, era tarde demais para heroísmos. O socorro chegou com sirene exagerada para um apartamento daquele tipo. Os bombeiros tentaram manter a compostura diante da cena absurda: uma panela no chão, café espalhado e duas xícaras intactas sobre a mesa. Martha foi declarada morta ali mesmo, vítima de queimaduras graves e complicações imediatas. Paulo, atordoado e com um corte na testa, repetia que só iam tomar café.

A notícia chegou ao marido de Martha, Josefino, no início da tarde, interrompendo uma reunião irrelevante. Ele largou tudo e correu para o hospital, imaginando acidentes mais comuns, mais aceitáveis. No caminho, pensou no filho, na mochila colorida, no beijo da manhã. Pensou que a vida era feita de sustos, mas não de ironias tão elaboradas.

No hospital, as respostas vieram aos poucos. O policial pediu documentos, fez perguntas neutras demais. Um endereço que não era o deles surgiu na conversa como um erro. O marido franziu a testa. Por que Martha estaria ali àquela hora? Disseram-lhe que havia um homem, um tal de Paulo, “um amigo”. A palavra “amigo” caiu pesada e deslocada.

Foi ao apartamento. O elevador lento confirmou tudo antes mesmo de a porta se abrir. O cheiro de café queimado ainda estava no ar. Sobre a mesa, duas xícaras limpas. Na cozinha, a panela. No sofá, uma manta dobrada com cuidado íntimo. Na estante, um porta-retrato virado para baixo. Não precisou de confissão.

O marido sentou-se no sofá que rangia e riu. Foi um riso curto, sem alegria, que mais parecia um soluço educado. Pensou em Martha feliz naquela manhã, na pressa em deixar o filho na escola, no brilho estranho nos olhos. Pensou que ela morrera exatamente no intervalo que inventara para viver outra vida.

No velório, as pessoas repetiam frases prontas: “Uma fatalidade”, “Ninguém espera”. O marido concordava com a cabeça, olhando para o caixão fechado. Não contou a ninguém o que descobrira; guardou para si aquela verdade torta, como se fosse uma piada que ninguém mais entenderia. Quando o filho perguntou por que a mãe não voltaria para buscá-lo na escola, ele respondeu que, às vezes, os adultos erram o caminho.

Na semana seguinte, Josefino levou o menino às aulas. Na porta da escola, acenou com a mão pesada. A professora retribuiu o aceno, e ele reparou a ausência de aliança na mão dela. Quando o portão se fechou, ficou ali parado por alguns segundos a mais. Depois, virou-se e foi para casa, onde o café esfriava na xícara única sobre a mesa. “Poderiam ser duas”, pensou ele, decidindo ir levar o filho à escola todos os dias dali em diante.