quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

CRÔNICA | Juventude como obrigação moral

Há tempo, eu deveria ter escrito esta crônica, mas, como quase sempre, falta tempo para as coisas boas da vida. No entanto, agora em minhas pseudoférias (um dia, conto o porquê disso), acabei revendo o filme "A substância", com Demi Moore. Então, nasceu o texto.

Há um momento no filme em que fica claro que o terror não está no laboratório, nem na seringa, nem no espelho. O horror verdadeiro é social. É o contrato silencioso que assinamos sem ler, a saber: envelhecer, sim, mas discretamente. Preferencialmente, sem rugas, sem flacidez, sem sinais de que o tempo inconveniente passou por nós.

Demi Moore, a meu ver, não interpreta apenas uma personagem. Ela encarna um arquétipo contemporâneo: o corpo que vence enquanto obedece. Jovem, produtivo, desejável. Quando deixa de cumprir tais funções, passa a ser um problema a ser corrigido, otimizado e até substituído. Isso não é ficção científica.

Vivemos a era da juventude compulsória. Não basta ser competente, experiente ou inteligente. É preciso parecer tudo isso sem jamais parecer cansado. O cansaço envelhece. A maturidade pesa. A serenidade não viraliza na internet. O algoritmo prefere a pele esticada, o sorriso treinado e a energia artificial de quem ainda finge que acabou de começar seja lá o que for.

O envelhecimento, que já foi sinal de autoridade, virou falha de caráter. Rugas são lidas como descuido. Cabelos brancos, como desistência. O corpo maduro não inspira respeito, inspira pena. Ou pior: invisibilidade.

"A substância" expõe essa lógica com crueldade. A promessa é simples e obscena: você pode continuar relevante, desde que aceite se fragmentar. Uma versão sua para o mundo e outra descartável, escondida, envelhecendo em silêncio. Parece absurdo no cinema. Fora dele, isso tem sido chamado de gestão da imagem pessoal. E há profissionais que ganham bem para isso.

O mais perverso é que não se trata apenas de aparência. A juventude exigida hoje é estética, emocional e moral. Esperam-se entusiasmo eterno, flexibilidade infinita e adaptação sem luto. Envelhecer implica dizer “não”, estabelecer limites, recusar certas humilhações. Isso não combina com o mercado.

No fundo, o filme nos faz perguntas incômodas: até que ponto estamos dispostos a nos mutilar simbolicamente para continuar desejáveis? Quantas versões de nós mesmos já sacrificamos em nome de aceitação, curtidas, contratos, convites que só chegam enquanto aparentamos frescor?

Entretanto, o corpo envelhece. Isso é biologia. O problema é a sociedade que envelhece mal, apavorada com o espelho, incapaz de lidar com o tempo sem tentar burlá-lo. Se pensarmos bem, "A substância" não fala sobre juventude, fala sobre medo. E ele, ao contrário das rugas, não se disfarça com maquiagem.

E por falar em medo, eu é que tenho medo de perguntar aqui: você usariam a substância do filme? Não mintam! Podem me responder de forma privada.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CONTO | (Des)Harmonização

Ela tentou se desviar do tiro, mas ele acertou seu rosto em cheio. Instantes depois, ela estava de pé, olhando para seu corpo jogado ao chão, desesperada pelo fato de a harmonização facial ter sido em vão.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025 em fotos

Sim, eu abandonei os textões de retrospectiva há alguns anos. Agora, passo a escolher uma foto de cada mês, algum momento especial e decido recordá-lo aqui. Vamos à retrospectiva 2025 então!?

Réveillon na serra gaúcha com pessoas especiais.

Em fevereiro, lançamento do projeto "English for a better age",
já que um "çor" não consegue ficar longe das aulas.

Publicação do trabalho de conclusão da pós-graduação "Gestão Pública Municipal"
em março.

Em abril, gravação da música "Viva forever"... Mentira, gente.
Foi a gravação de um audiolivro.

Passando o bastão à Cris Fischborn, nova presidente do Grêmio Literário Patrulhense, em maio.

Lançamento do volume 2 de "Enquanto isso, em Santo Antônio..." em junho.

Festinha julina da "firma", no caso, da Secretaria do Desenvolvimento Social.

Participando da Feira Municipal do Livro em agosto.

Em setembro, comemorando o aníver de ... anos da professora Leda.

Oficina de contos no Colégio Santa Teresinha em outubro.

Com a mãe, conhecendo a opulenta basílica de Aparecida/SP em novembro.

Em dezembro, lançamento da terceira obra dos Desautores.

É isso, gente. Por mais momento e mais fotos em 2026! Bom ano novo a todos nós!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

CRÔNICA | Fim do ano, ou fim do mundo?

A cada dezembro, acontece um fenômeno curioso, quase antropológico: as pessoas não encerram o ano, elas entram em colapso. O calendário avança um número e, de repente, a humanidade passa a se comportar como se estivesse evacuando o planeta.

Há pressa em tudo: no trânsito, nos mercados, nas farmácias, nos caixas eletrônicos e, principalmente, nas emoções. Todos parecem atrasados para algum compromisso invisível, como se o dia 31, à meia-noite, fosse acompanhado por uma sirene e um fiscal existencial, cobrando pendências da alma.

Os supermercados viram arenas. Carrinhos disputam território. Pessoas brigam por uvas passas. O frango natalino, coitado, é tratado como entidade sagrada: se acabar, acaba o ano junto.

Nas ruas, motoristas dirigem como se o asfalto fosse desaparecer em 48 horas. Não é pressa, é desespero. Setas são ignoradas, gentileza entra em recesso coletivo. Ninguém quer chegar rápido; quer fugir.

Na área afetiva, o surto é ainda mais sofisticado. Surge a urgência de rever pessoas que passaram o ano inteiro sendo ignoradas, enviar mensagens genéricas recheadas de votos grandiosos e promessas vagas de “ano novo, vida nova”. A esperança é terceirizada para o calendário, como se janeiro tivesse poderes terapêuticos (ou mágicos).

Há, também, o pânico das listas: metas não cumpridas, projetos abandonados, corpos não esculpidos, contas não pagas, livros não lidos, etc. Dezembro vira um tribunal, onde todos se condenam por não terem sido versões irreais de si mesmos. Há julgamento e culpa (muita).

No fundo, essa afobação não é sobre festas, compras ou retrospectivas: é medo. Medo de que o tempo esteja passando rápido demais e alguém esteja percebendo. Medo de encarar que a vida não se organiza sozinha, só porque o calendário muda. Medo de admitir que o ano acaba, sim, mas os problemas, hábitos e escolhas atravessam a fronteira sem pedir autorização.

Talvez, fosse mais honesto tratar o fim do ano como ele realmente é: apenas o fim de um ano, sem histeria, sem correria, sem encenação coletiva de que algo sobrenatural está prestes a acontecer. Aqui vai um "spoiler": não está.

O mundo não acaba no dia 31. Sua ansiedade também não. Ainda assim, caro leitor, desejo-lhe: boas festas...

domingo, 7 de dezembro de 2025

Retrospectiva literária 2025


Pois é, mais um ano se vai, e mais umas publicações foram feitas por aqui. Então, é hora de relembrá-las e saber como acessá-las ou comprá-las.

1) Gêneros Literários na Prática: E-book que lancei em março sobre, obviamente, os três gêneros da literatura (narrativa, lírico e dramático). É ideal para quem quer se arriscar na escrita, mas ainda não sabe distinguir um texto do outro. Ideal também para alunos de literatura. Compre-o aqui.

2) Estudo sobre o Conselho Municipal de Cultura: Publiquei meu trabalho de conclusão da pós-graduação Gestão Pública Municipal. O título é "Democracia e Participação em Santo Antônio da Patrulha: análise da efetividade do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Cultura". Curiosamente, depois da publicação, o conselho em tela teve mudanças em sua lei. Leia o trabalho gratuitamente, clicando aqui.

3) Enquanto isso, em Santo Antônio... - Volume 2: Livro organizado pelo Grêmio Literário Patrulhense, entidade que presidi até maio. Contém poemas de autores do GLP e de integrantes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da cidade. Obra social muito bacana, que pode ser ser lida e ouvida de graça, clicando-se aqui.

4) Desalmados: Terceiro livro de contos do coletivo de escritores Desautores, do qual faço parte. Obra sombria, misteriosa, sem piedade. Compre o e-book, clicando aqui e falando com Gilberto.

Fora as publicações oficiais, com ISBN, houve vários textos aqui no blog. Basta rolar a barra e lê-los.

É isso, gente. Haverá publicações em 2026?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

CRÔNICA | Dezembro com outros assutos

Dezembro sempre me soa como um convidado que chega tarde, pede desculpas demais e, ainda assim, faz questão de reorganizar a sala inteira antes de ir embora. As pessoas, coitadas, embarcam na fantasia coletiva da retrospectiva (gênero literário um pouco cansado, que só serve para lembrar que o tempo passa rapidamente). Se o tempo urge, o que podemos escrever no último mês do ano, além do tradicional textão de retrospectiva? Nesta crônica, abordo algumas ideias de escrita, as quais servem como desafios literários.

Que tal escrever um manual de sobrevivência às festas de família? Algo elegante, engraçado, descrevendo “técnicas” para contornar parentes opinativos, sorrisos forçados, demora para a colocação da ceia, etc. Coisas do tipo: “Sorria, respire e lembre-se de que a ceia acaba, mas sua paciência, talvez, não”.

Ou, então, na falta de assunto mais nobre, é possível redigir uma carta para o “eu” que ainda não conheci. Não o idealizado, mas o possível. Esta versão futura que já terá (quiçá) aprendido a negar convites sem culpa, a escolher batalhas com economia e dar um tempo no sarcasmo quando o afeto exigir prioridade. Uma carta para lembrá-lo de que o futuro não precisa ser épico, apenas digno.

Há, ainda, a possiblidade de um elogio ao trivial, a uma coisa simples da vida, como fazer mais silêncio do que conversar em dadas situações, ao fato de ter um tempo para o café da manhã, ao bom convívio familiar e no trabalho (se isso existir), etc. Você não precisa agradecer apenas quando compra um carro, um casa, ou quando viaja para longe.

E, por fim, dezembro nos inspira a fazer um inventário afetivo do que não merecerá lugar no próximo ano. Nada dramático. Apenas uma triagem civilizada: hábitos obsoletos, expectativas com prazo vencido, conversas que não levam a lugar nenhum, tudo encaminhado para descarte com a delicadeza de quem agradece pelo serviço prestado e encerra o contrato.

No fim das contas, talvez, seja isso: enquanto o mundo insiste em recapitular o que já passou, pode ser preferível lapidar o que ainda pode vir. Sem fogos de artifício, sem autoajuda. Somente a honestidade possível, embrulhada num papel pardo de ironia. Afinal, dezembro não precisa ser um memorial: pode ser apenas um bom texto.

A propósito, adotei o formato “retrospectiva em fotos” há alguns anos. Depois do Natal, vou publicá-la aqui.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

CRÔNICA | Costurados de nós mesmos

Guillermo del Toro, com aquela devoção enorme e quase religiosa por monstros, fez em “Frankenstein” algo que Mary Shelley já sussurrava e que nós fingimos não ouvir: a criatura não é um erro, é um espelho daqueles que devolvem a verdade sem filtro de beleza.

O monstro nasce de pedaços. Mas sejamos francos: quem não? Depois de ter visto o filme, o qual está disponível no catálogo da Netflix, passei a refletir sobre ele como um todo, não apenas como uma releitura do livro e de outras películas passadas.

Também somos um mosaico malcomportado de tudo o que tocou nossa vida: as decisões que tomamos por impulso, os medos herdados, as cicatrizes de quem nos amou mal, as lembranças de quem nos amou corretamente, os erros familiares, etc. Nada em nós é puro ou original. Somos editados, costurados com linhas de afetos e grampeados com traumas que superamos (ou fingimos ter superado).

A diferença é que o monstro de Del Toro nada tenta disfarçar. Ele exibe a costura. Nós, não, passamos a vida inteira nos debatendo para esconder pontos soltos, como se vulnerabilidade fosse defeito de fabricação e demonstrasse fraqueza. Ironicamente, é isso que nos aproxima ainda mais da criatura: vivemos com a sensação de que estamos sempre fora do lugar, sempre tentando provar que merecemos existir, sempre acreditando que, se alguém olhar perto demais, verá a colcha de retalhos emocional que somos.

No fundo, a verdade incômoda é simples: somos todos um pouco o monstro de Frankenstein, carregando dentro de nós pedaços de gente que passou, de dores que ficaram, de memórias que insistem em retornar. E se há algo bonito nisso, é que, apesar da colagem imperfeita, seguimos caminhando com nossas cicatrizes, nossos retalhos e uma estranha persistente em pulsar, mesmo quando o mundo diz que não deveríamos fazer isso.

Será que Del Toro sempre soube que o monstro só parece assustador para quem ainda não aprendeu a se enxergar? E nós sabemos? Nossos pedaços souberam? Vamos pensando...

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

CONTOS | "Desalmados", o terceiro livro dos Desautores

O livro Desalmados é a terceira obra de contos do coletivo de escritores Desautores, do qual faço parte. É vendido no formato de ebook (PDF e Kindle). Nesta obra, estou junto com Débora Bregolin, Felipe Zobaran, Jocteel Salles e Gilberto Broilo.

Há livros que nascem como confessionários de outra dimensão — portas que se abrem para mundos que não sabemos se pertencem ao sonho, ao delírio ou à mais íntima verdade do espírito humano. Desalmados é um desses livros.

O título do livro não aponta para o mal, mas para o vazio. Não denuncia a ausência de moral, e sim a ausência de luz. “Sem alma” aqui é sinônimo de desconexão — da terra, do outro, de si. É o eco do humano que tenta sentir e já não consegue.

Leia-nos. Acesse o perfil @desautores (no Instagram, clique aqui) e adquira seu exemplar por apenas 10 reais.

Conheça, abaixo, os Desautores:

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

CRÔNICA | Uma (quase) vitrine humana

Esses dias, assisti ao filme “Amores materialistas”, disponível na plataforma HBO Max. Nada exagerado em termos de interpretação, produção, etc. Nele, uma mulher de 30 e poucos anos trabalha numa agência casamenteira, arranjando relacionamentos com base em características comuns, quando encontra um cara rico de 50 anos que chama sua atenção e, no mesmo dia, reencontra um ex-namorado pobre de 30 e poucos anos como ela. A película fez-me pensar sobre o tema da oferta de pessoas/corpos/comportamentos.

Quem entra num aplicativo de relacionamentos sente que está num supermercado, mas sem carrinho, só com o dedo. Arrasta para a direita, arrasta para a esquerda. Há gente linda, polida, filtrada. Há rótulos bem feitos: espontâneo, fitness, viajante. É um catálogo de sonhos embalados, ou seja, o amor virou vitrine, e cada um tenta se vender como pode.

Uns colocam no perfil o carro, o corpo, o destino da última viagem. Outros preferem vender a alma, num discurso um tanto poético, porém sempre com uma boa iluminação. O importante é ser desejável, ninguém quer parecer fora de linha.

As conversas começam como negociações: “O que você procura?”; “O que você oferece?”. Amor virou transação comercial, sentimento com prazo de validade e política de devolução. Se não serve, devolve. Se enjoa, troca.

Vivemos a era dos amores materialistas (como o título do filme), e não falo de dinheiro, mas sim de superfície. Valorizamos mais o brilho do que tudo. Mais a aparência do que o encontro.

As pessoas viraram produtos com embalagens emocionais. E o mais curioso é que ninguém se rebela, todos participam da feira, tentando parecer mais caros, mais raros, mais clicáveis.

No fundo, as pessoas ainda querem o mesmo: ser vistas, ser escolhidas, ser amadas. Só esquecem que o amor não cabe em vitrine, eis que, diferentemente do consumo, ele não melhora quando tem muitos “likes”.

O filme chama atenção para isso, quando as/os clientes da personagem principal fazem mil e uma exigências sobre como querem que as pessoas sejam, as pessoas que serão apresentadas a elas. E é tudo pago. Quando um casal apresentado pela agência finalmente casa, há festinha na empresa.

Enquanto isso, a humanidade segue rolando a tela, procurando alguém que pareça original, sem perceber que todos nós já estamos com o código de barras colado na pele.

Ah, e quanto ao dilema da personagem (“tiozão” rico ou ex-namorado jovem pobre), você terá que assistir ao filme para saber o que ocorre. Aliás, se fosse você na situação dela, o que faria?

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

CRÔNICA | Língua portuguesa: o drama das palavras

Escrever bem, dizem, é um dom. Bobagem! Escrever bem é um ato de paciência e, talvez, de resistência. Em um mundo em que tudo precisa caber em duzentos e poucos caracteres, quem se detém para conferir se “mas” tem “i” ou não parece um sobrevivente de outra era.

Não que as pessoas não saibam português. Sabem, sim (ou, pelo menos, acreditam saber). Cresceram ouvindo que o importante é se comunicar, como se isso fosse apenas jogar palavras ao ar e esperar que elas façam sentido sozinhas. O problema é que, às vezes, não fazem. A vírgula fora do lugar muda o sentido, o “mau” e o “mal” confundem, o “por que” vira um pesadelo de quatro variações... E o resultado é um texto que soa como aquele amigo que fala muito, mas diz nada.

Há quem culpe a escola, o professor, o celular, o corretor automático, a pressa, a vida moderna. E há também quem defenda que escrever corretamente é frescura. Mas quem já não se viu, em meio a um texto mal pontuado, tentando entender o que o outro quis dizer? Eu, por exemplo, sim (e por muitas vezes). Escrever bem não é exibicionismo: é generosidade. É facilitar a vida do leitor, é dizer algo assim: “Eu me importo em ser claro para você”.

A verdade é que o português, com todas as suas regras e exceções, com frequência, vira um drama de palavras, logo, exige muita atenção. Ele pede cuidado(s). E, no fundo, é isto o que falta: tempo e vontade de cuidar da língua, de tratá-la não como um peso, mas como uma companhia que, quanto mais conhecida, mais familiar se torna.

Porque escrever bem não é um luxo; é um gesto de respeito com o outro, com a própria ideia e (por que não?) com o idioma que insiste em sobreviver, mesmo entre abreviações, emojis, “seje” e “menas” de todos os dias...