Texto publicado no jornal Folha Patrulhense, edição de 7 de março de 2019:
quinta-feira, 7 de março de 2019
domingo, 3 de março de 2019
CONTOS | Minutos de clarão
Chuva depressiva. Casa perigosa. Andréia estava só. Já tinha
se emboletado, mas não conseguia dormir. Lá fora, o mundo caía. Dentro, também.
Andréia não suportava mais seus empregos. Tampouco o marido e a família. Muito
menos, ela mesma.
Ela não sabia no que pensava. Não conseguia pensar. Quando
pensava, eram relances, coisas esparsas, loucuras. Os trovões e raios do
temporal simbolizavam bem a mente de Andréia. Flashes, sustos, minutos de
clarão.
Não fazia muito, a mulher tinha abandonado a terapia. Com a
morte dos pais e as desculpas do marido sobre traição, o surto havia aumentado.
Ela não sabia se vivia na realidade. Sentia que não fazia falta. Era um
estorvo. Faltavam-lhe razão e ilusão.
Foi até a cozinha. Fez um chá. Tomou-o com mais duas
boletas. Sentou-se na sala. Começou a fazer planos:
“Enlouqueci? Sim. Perdi a vida? Não. Próximo passo traçado
então”.
Calçou os tênis, tirou os óculos, saiu. Queria sumir. Por um
tempo. Para sempre. Tanto fazia. O importante era iniciar.
(...)
O marido procurou Andréia. A família também. Dias depois,
foi encontrada num terreno baldio, atrás de uma escola. Na página policial,
apenas um bilhete foi achado em um dos bolsos: “Meu diário ficou na gaveta”.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
CONTOS | Longe demais
Quando o sentimento terminou, ela se sentiu derrotada; quis
se isolar na ilha deserta de sua alma. Uma vez lá, percebeu que nada poderia
fazer.
Ela adentrou a sala em penumbra. Por sorte ou não, encontrou
o porta-retratos quebrado. Era como se sentia. Passou a mão pelos livros
empoeirados. Foi então que abriu o antigo diário, aquele no qual escrevia
quando triste estava. Procurou, procurou... Achou o trecho que refletia seu
estado: “O amor é como um livro em dois volumes, sendo que o primeiro foi
perdido. O amor é a incompletude na ausência”.
Depois daquele dia, enlouqueceu.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
CRÔNICAS | É preciso prestar atenção em tudo?
No final de semana passado, estava eu na casa de uma amiga
e, para nossa surpresa, pouco havia para o café da manhã. Então, ela pegou
tapioca e disse que faria a mesma com ovo. Perguntou se eu comia aquilo. Diante
da minha negativa, disse-me que era super fácil e passou a explicar-me. Neste
exato momento, eu me desliguei. Isso mesmo, parei de prestar atenção e apenas
concordei com a cabeça a cada passo que era dado.
Eu gosto de comer, não de cozinhar. Detesto cozinhar. Aliás,
não cozinho. Por isso, quando alguém começa a me detalhar como fazer pratos,
por mais simples que sejam, eu simplesmente escuto sem gravar nada do que a
pessoa fala. Mas por que estou escrevendo essas bobices? Por que estou dando
esse exemplo tosco?
Nos dias atuais, as situações que nos levam ao limite são
cada vez maiores. Elas ocorrem na família, nos relacionamentos amorosos e de
amizade e, principalmente, no trabalho. Às vezes (ou em muitas vezes), é
preciso desligar-se. É difícil fazer isso, eu sei. Levei anos para estar apto.
No entanto, quando você aprende, é algo fantástico. A pessoa que está incomodando
você, enchendo seu saco ou lhe xingando fica falando, e você consegue apenas
balançar a cabeça e desligar.
Não estou dizendo que devemos ser alienados do mundo. Mas você
já se perguntou: é preciso prestar atenção em tudo? Quando estão a lhe contar
uma tragédia horrível, a qual já é passado, o que você poderá fazer a respeito
disso? Se seu chefe (ou líder em poucos casos) está esbravejando, e você
precisa do emprego, é legal prestar atenção em tudo que é dito, sendo que você
não poderá xingá-lo?
Claro, há situações e situações. O que quero dizer é que,
quanto mais você conseguir se desligar de situações ruins, melhor será seu
estado de espírito. Trata-se de não absorver tudo que lhe é passado, de ser
capaz de filtrar informações e ações, de saber quando ficar ou não ligado, de
dar uma trégua ao cérebro que, depois, em casa, deixará ou não você dormir.
Portanto, já sabem: desliguem-se de vez em quando. Sua paz de espírito agradecerá por isso.
A propósito, você se desligou para ler este projeto de
texto? Espero que não!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
OPINIÃO | Não se trata de opção!
Em tempos de azul x rosa (mesmo que haja a desculpa de se
tratar de uma figura de linguagem), quero escrever aos ignorantes. Mas atenção:
antes de me xingar pelo uso dessa palavra, tenham em mente que ignorante é a pessoa que não teve acesso a algum conhecimento. Isso pode ocorrer porque ela
não quis (se nega a isso), ou porque não teve a oportunidade. Eu, por exemplo,
sou ignorante em mecânica de carros. E por aí vai.
Os parágrafos a seguir são fruto “do resumo do resumo” de
dois trabalhos de conclusão meus (Educação em Direitos Humanos – FURG e
Educação para a Diversidade – UFRGS, ou seja, provêm de pesquisa.
A ignorância sempre permeou nossa sociedade. Como
civilização, já tivemos escravos, as mulheres já desempenharam papel de total
submissão, pessoas com determinadas doenças foram mortas, só para citar alguns
exemplos. Não seria diferente com relação às questões sexuais, em especial, a
pessoas que se sentem atraídas pelo mesmo sexo.
A falta de conhecimento sobre a homossexualidade é grande. Na
mídia, quando se fala do assunto, ou é de uma forma que visa à desqualificação
do homossexual, por meio de piadas e chacotas, ou com informações imprecisas.
Se falar de sexo incomoda, imagine isso tocante à homossexualidade. O tabu é
forte.
Por muito tempo, a atração de pessoas pelo mesmo sexo foi
considerada uma doença. O termo que se usava era “homossexualismo” (o sufixo “ismo”
é usado para palavras associadas a doenças). Hoje, o correto é usar “homossexualidade”,
ou seja, com o sufixo “dade” que, segundo o psicólogo João Batista Pedrosa
(2006), significa ‘maneira de ser’.
Pedrosa (2006) informa que foi com o médico alemão Magnus
Hirschfeld que se começou a deixar de lado a terminologia “homossexualismo”.
Hirschfeld, na década de 1920, divulgou a ideia de que a homossexualidade não é
uma doença, mas sim tem origem biológica.
Quase meio século depois, em 1973, a Associação Americana de
Psiquiatria retirou a homossexualidade do seu Manual de Diagnóstico e
Estatística de Distúrbios Mentais (DSM), deixando de considerá-la doença.
Posição que foi acompanhada por centenas de organizações em todo o mundo.
Como se nota, a questão homossexual até doença já foi
considerada. Graças à ciência e a movimentos sociais, isso não ocorre mais
hoje. É uma preocupação a menos para gays, lésbicas e transexuais em nossa
sociedade. Se bem que a ciência que desqualificou a homossexualidade como
doença foi a mesma que, no passado, denominou-a como tal (homossexualismo).
Então, é preciso prestar atenção ao que se faz necessário para modificar certas
concepções sociais.
No entanto, mesmo sendo esclarecido pela ciência, muitas
pessoas ainda referem-se ao tema como “opção sexual”. Pedrosa (2006) explica que
não se trata de uma opção. Optar significa escolher em ser ou não ser gay.
Assim como o heterossexual não escolhe em ser ou não ser heterossexual, o mesmo
acontece com o homossexual. Sendo assim, o termo mais correto é “orientação
sexual”, que pode ser explicada por fatores genéticos, ambientais e práticas
culturais.
Imagine a pergunta: “Quando você optou por ser
heterossexual?” Provavelmente, a pessoa vai dizer: “Sempre fui assim”. Pois é,
não foi uma escolha.
Ficou mais claro? Espero que sim. Eu opto sempre pelo
conhecimento científico. Recomendo tal conhecimento a todos (azuis ou rosas).
Os estudos estão ao acesso de todos, basta serem dados uns cliques certos na
internet, ou ser feita uma boa consulta bibliográfica.
sábado, 29 de dezembro de 2018
OPINIÃO | Clichê: não sei se bom ou ruim...
O título é clichê, eu sei, pois sempre temos coisas boas e
ruins em nossa vida. No entanto, em 2018, para mim, isso ficou muito marcado,
ou seja, foi um ano bem dividido nesse quesito.
Há alguns anos, costumo fazer um texto de retrospectiva. Não
há como ser diferente. Acredito que vocês, em dezembro, também repensam tudo o
que ocorreu nos meses anteriores, estou correto? É o famoso balanço: o que prestou,
o que não deu certo, etc.
Com relação a trabalho, ele foi intenso. Foi meu segundo na
Secretaria da Cultura, Turismo e Esportes de Santo Antônio da Patrulha, onde
temos que fazer chover com pouca grana, sempre buscando investimentos de fora
por meio de projetos. Estes foram feitos em 2017 e no começo de 2018, sendo que
os frutos estão vindo agora, como é o caso da revitalização de seis pontos turísticos
na cidade, o que totaliza R$ 1 milhão. No Polo Universitário Santo Antônio, as
coisas foram intensas também, com a tutoria em filosofia e com a docência no
curso “Aspectos filosóficos da diversidade”. Ainda houve as queridas e
dedicadas alunas particulares de inglês, isto é, três turnos sempre.
Ao término de cada pós-graduação que faço, eu digo: "Esta foi a última. Não farei outra. Não quero mais me incomodar". Isso, mais uma vez, se revelou uma mentira, pois concluí, em junho, "Gestão escolar: orientação e supervisão". Não adianta: sempre serei um entusiasta da formação continuada, seja para mim, seja para outrem.
Ao término de cada pós-graduação que faço, eu digo: "Esta foi a última. Não farei outra. Não quero mais me incomodar". Isso, mais uma vez, se revelou uma mentira, pois concluí, em junho, "Gestão escolar: orientação e supervisão". Não adianta: sempre serei um entusiasta da formação continuada, seja para mim, seja para outrem.
Em 2018, minha mãe descobriu que estava com câncer de mama.
Então, foi uma luta grande com cirurgia e radioterapia. Com afinco e esperança,
tudo está bem agora, permanecendo ela apenas com quimioterapia oral. Não
adianta: quando o assunto é saúde, todos nos abalamos.
Neste ano, ficou bem claro para mim que, quando damos o
dedo, as pessoas querem a mão. Recebendo a mão, querem o braço, e assim por
diante. Até a metade do ano mais ou menos, preocupei-me muito com isso,
querendo agradar a todos. Entretanto, não é possível. Ser realista e dizer “não”
são ações necessárias. Nunca contentaremos todos, é fato. E, ao tentarmos fazer
isso, só ganhamos estresse e menos horas de sono.
Também em 2018, tive o amargo conhecimento de que grandes
amizades podem acabar por política, sim. Aquelas de anos, que pareciam ser para
a vida toda. A campanha eleitoral foi devastadora, pois, por meio dela, pude
perceber como pensavam muitas pessoas próximas a mim. Isso me frustrou
bastante. Todos sabemos que grandes amizades têm laços mais fortes do que os
familiares às vezes. Mas, assim como ocorre na família, esses elos podem ser
rompidos, ficando os sentimentos de dúvida e mágoa. Realmente, é uma pena.
Porém conquistei novos amigos. Pessoas que eram somente conhecidas
passaram a ser amigas agora. Gente que convivia comigo sem muita proximidade e
gente que conheci do nada. As afinidades contam muito.
Consegui um tempo para mim, conforme tinha prometido no ano anterior, e pude viajar à Argentina e ao Chile. Conhecer culturas e lugares novos é uma das melhores coisas da vida. Desligar-se da rotina por alguns dias é sempre bom.
Consegui um tempo para mim, conforme tinha prometido no ano anterior, e pude viajar à Argentina e ao Chile. Conhecer culturas e lugares novos é uma das melhores coisas da vida. Desligar-se da rotina por alguns dias é sempre bom.
No texto de 2017, prometi dedicar-me mais à literatura, o
que não ocorreu em 2018. Acabei publicando um conto e uma crônica na obra “Prosa
na Varanda 4” e um poema na “Poesia na Praça” apenas. Todavia, a versão
completa das “Rivais” está pronta. Portanto, faço nova promessa: ela será
impressa em 2019.
Aliás, com relação a 2019, não quero fazer outras promessas.
É preciso viver o momento. Assim como podemos prometer e não cumprir algo,
podemos fazer algo totalmente novo e legal. Pensando bem, essa pode ser a
palavra para 2019: momento. Assim sendo, desejo que os meus e os seus momentos
sejam muito bem vividos nesse ano vindouro. Bola para frente!
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
CONTOS | Por causa da educação
Maria nunca pensou que aquilo aconteceria com ela. Mas era
realidade, e ela vivia intensamente. Fazia dois anos que havia se mudado para a cidade em função
da profissão de professora. Nomeada, lecionava 40 horas numa mesma escola.
Possuía várias turmas, mas apenas uma lhe chamava a atenção: 107. Na verdade,
não se tratava da turma, mas de Vítor, seu aluno preferido.
No início de seu trabalho, Vítor era mais um entre tantos
estudantes na faixa dos 15 anos. Não se destacava nas aulas. Com o tempo,
passou a aparecer, passou a cativar Maria. Ele tinha opiniões fortes, escrevia
bons textos. Mais do que isso: procurava a presença dela. Maria começou a notar
isso no final do ano anterior, quando os alunos pouco iam à escola em vista de
estarem com médias suficientes. Vítor estava sempre lá. Cansou de ser o único a
ir a sua aula. Nessas ocasiões, ela não passava matéria; sentava-se próxima a
ele, e conversavam sobre vários assuntos.
Numa dada tarde, Maria percebeu o interesse do aluno por
ela. Não que não tivesse atinado isso antes, porém, nesta vez, foi mais
explícito. Ao se despedirem, ela rumou para a secretaria, e Vítor foi para o
lado oposto. Decidiu olhar para trás e encontrou o olhar dele; ambos cuidaram a
ida de cada um e sorriram levemente.
Por ética profissional, Maria sentia-se impedida de ter
algum relacionamento com o rapaz. Além disso, ele tinha somente 15 anos. Como
poderia interessar-se por um adolescente? Só que seus preceitos morais não
estavam em condição de decidir; seu coração já o fizera.
Nas férias daquele período, Maria encontrava Vítor na lagoa,
ele com sua família, ela com colegas de trabalho. Cumprimentavam-se,
conversavam, despediam-se sem que ninguém notasse nada suspeito. Mas a lagoa
seria lugar de algo mais.
Em fevereiro, encontraram-se a sós no local. Sem muita
cerimônia, envolveram-se em abraços e beijos. Maria quis tanto aquilo que se
entregou ao momento. Para ela, era como se o aluno tivesse sua idade, fosse
maduro e seguro. Ela o sentia assim, queria que fosse assim.
Teve início um relacionamento às escondidas. Maria recebia o
pupilo em sua casa semanalmente. Faziam refeições juntos, assistiam a filmes,
debatiam, amavam-se. Mesmo no período letivo, a história de ambos continuou,
com um pouco mais de cautela, mas com a mesma intensidade. Sem família na
cidade, Maria tomou Vítor como uma espécie de marido até que engravidou dele.
Resolveu ter o filho, mas sem que Vítor soubesse que seria pai tão jovem. Em
questão de 20 dias após descobrir a gravidez, conseguiu transferência para
lecionar em outra cidade.
Lá, teve seu filho, Vicente. Criou-o sozinha. Nunca casou.
Nunca contou o paradeiro do pai ao jovem. Nunca mais viu Vítor. Vivia para o
filho. Trabalhava, retornava para casa, tratava dos afazeres, checava o
desempenho escolar de Vicente, tinha uma vida simples. Simples, mas feliz.
Bom moço, Vicente era um dos primeiros alunos de sua turma.
Exibia notas altas, tinha bom comportamento. Durante as tardes, costumava
sempre estudar. Porém começou a mudar. Quando Maria chegava a casa, por volta
das 17h30min, por várias vezes, encontrou o filho um tanto nervoso, um pouco
atucanado com as palavras.
Como o fato passou a se repetir mais frequentemente, Maria
ficou preocupada e muito curiosa. Numa tarde, conseguiu os três últimos
períodos vagos e rumou para casa. Tinha em mente que algo fora do normal se
passava com Vicente. Quando lá chegou, encontrou o filho transando com sua
professora de História.
domingo, 18 de novembro de 2018
CONTOS | Quase uma visita
Em
casa, tomando seu achocolatado com leite bem quente – fervido no fogão, e não
esquentado no micro – ela só pensava em visitá-lo. Sentia que queria. Queria
sentir. Tudo junto. Mas chovia. E chovia muito. Era uma sexta, já nove da
noite. “Vou? Será?” Antes de pensar, já decidira.
Saiu
sem casaco. Uma blusa já desbotada, uma calça jeans justa, sapatos de salto
“Luís XV”, como dizia uma amiga, sem sombrinha. O cabelo desgrenhado (com a
chuva, ficava pior) ressaltava a oleosidade. Ela nem dá bola, nem para ela, nem
para os curiosos que a olhavam passar. “Vão se ferrar, idiotas!”
Assim
foi caminhando por 45 minutos. Ou foram 50? É que atolou o salto e levou um
tempo a ajeitá-lo. Na frente da porta, hesitou: “Bato? Volto?” Segundos de
silêncio antecederam a série de batidas fortes (a campainha estragara). Bateu,
bateu. Quis chorar. Bateu de novo. Quando ia dar um soco, ouviu barulho de
chave. O rosto dele era de desaprovação total. Pudera: ela um trapo vivo ali, o
que ele pensaria? Bem, ele baixou a cabeça, fez um sinal com a mão
(indecifrável para ela) e cerrou a porta.
Ela
sentou no chão, com as costas doloridas escoradas na porta fechada contra ela.
Chorou. Lavou-se mais do que a chuva o fizera. Dez minutos seguintes (ou 15?),
levantou-se, um pouco cambaleando, foi para a rua, não para a calçada, sequer
viu o caminhão enorme.
Acordou.
Tinha muita luz. Gente ao redor. “O que é isso?” Quis levantar, não conseguiu.
Começou a falar (...) Falou de novo (...) Gritou (...) Nada.
domingo, 7 de outubro de 2018
OPINIÃO | A (in)utilidade do estudo
- Como assim? Um professor escrever um texto com um título
desses?
Calma. Explicarei (ou tentarei explicar) o porquê disso...
Depois que me formei em Letras – Português/Inglês, fiz
quatro especializações: Educação em Direitos Humanos; Educação para a Diversidade;
Educação Ambiental; e Gestão Escolar: Orientação e Supervisão. Isso quer dizer
que fiquei, mais ou menos, seis anos estudando depois da graduação. E para quê
isso?
Pós-graduação em Direitos Humanos, quando as pessoas são
cada vez menos respeitadas... Pós-graduação em Diversidade, quando as
diferenças são cada vez mais condenadas... Pós-graduação em Educação Ambiental,
quando a classe política não está nem aí para o meio ambiente... Gestão Escolar,
quando a escola virou símbolo de sucateamento e decadência...
Sim, as eleições deste ano me fizeram refletir sobre as
áreas de estudo para as quais dediquei anos de minha vida acadêmica. Foi como
nadar contra a maré. Foi como achar estar sonhando e, na verdade, ter tido um
pesadelo. Foi como sentir-se quase inútil construindo conhecimentos que, hoje,
parecem não mais valer.
As manifestações de ódio, a intolerância e a polarização no
país tomam proporções avassaladoras. Não seguir o fluxo torna você um
contraventor. E, às vezes, seguir o fluxo torna você cúmplice.
São tempos difíceis. Tempos em que é árduo aconselhar alunos sobre a continuidade dos estudos, sobre cursos superiores, sobre profissões, sobre futuro... São tempos em que a luz no fim do túnel pode, de fato, ser um trem enorme que passará por cima de você.
Mas, no meio de toda essa turbulência, ainda é preciso crer
numa palavra: esperança. Esperança de que o estudo valha para a transformação
da sociedade, porém para uma transformação boa, sem retrocessos, sem cogitação
de inutilidade, sob pena de frustração.
Esperança, sim, por favor!
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
RIVAIS | Últimos dos últimos exemplares
Os últimos exemplares da obra O inevitável fim das rivais estarão à venda na 8ª Feira do Livro de Santo Antônio da Patrulha, na banca do Grêmio Literário Patrulhense. O evento ocorre no Parque Caetano Tedesco, de 8 a 12 de agosto. Há diversas atrações, conforme já divulguei aqui no blog. Não perca!
O que? Venda dos últimos exemplares de O inevitável fim das rivais
Quanto? R$ 10,00
Onde? Feira do Livro de Santo Antônio da Patrulha
Quando? De 8 a 12 de agosto
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