sexta-feira, 9 de junho de 2017

CONTOS | Amor só enche barriga durante nove meses

O amor, para Maria Louca (nascida Maria Batista dos Santos), vinha a prestações; cada uma durava nove meses.

Mas, depois de ter seis filhas, ela cansou do amor. Para todas as suas amigas da COHAB, ela dizia: “Amor só enche barriga durante nove meses”. E assim virou conselheira anti-casório, anti-ajuntamento.

Com as filhas crescidas (duas já embarrigadas), Maria Louca passou a fazer bicos de faxineira numa casa de ricos. Ia lá toda sexta-feira. Conheceu o Bastião, que limpava o pátio e cuidava dos animais.

Pronto. Caiu por terra sua descrença no amor. Apaixonou-se de novo. Em dois meses, ficou buchuda (gêmeos). Inconformado por não ter condições de criar os filhos, Bastião descontava sua raiva em Maria Louca, que apanhava um dia sim, outro também.

Quando pariu, uma das crias não vingou. De cara, morreu. O outro ficou três semanas no hospital e teve o mesmo destino.

Indignado com o ocorrido, Bastião continuou descendo o sarrafo em Maria, às vezes, em duas ou três sessões diárias. Apavorados, os vizinhos comunicaram o padre Bráulio. Em visita de ajuda ao casal, o sacerdote levou tantas cacetadas de Bastião que só pôde ser levado de lá pelo SAMU.

Com isso, Bastião foi preso, e Maria deixou de apanhar. Depois de nove meses sem levar um tabefe, foi visitar o desgraçado na cadeia. Amor à segunda vista, Maria Louca queria Bastião de volta. O defensor público conseguiu libertá-lo depois que Maria e uma vizinha mudaram seus depoimentos.

O casal foi morar no barraco dela. Alheia aos olhares reprovadores dos vizinhos, Maria Louca ficou prenha de novo. A cada noite, Bastião selecionava um objeto diferente para descer no lombo da companheira. Estavam felizes. A cada nove ou dez meses, uma criatura nascia.

domingo, 4 de junho de 2017

CONTOS | O par da debutante

O sonho de Vira sempre foi que o filho Leandro, Leô, fosse par de alguma debutante na cidade. Quando pequeno, o guri tinha que saber portar-se nas festas, comer direito, vestir-se bem. Um verdadeiro contraste com a mãe, grossa até não poder mais. E o pai então? Pior impossível!

Cresceu nas poucas festas da alta sociedade decadente, sempre interpretando bem o papel de bom moço, de inteligente, correto e mais outras coisas. A mãe sempre junto, mas calada. Se abrisse a boca, não teria assunto para entoar.

Enfim, quando o diabo estava no 3º ano, surgiu a oportunidade. A vizinha, Maria do Dileu, convidou Leandro para ser par da filha, Katiele, no debut de outubro. O guri nem abriu a boca, Vira saltou na frente: “Vizinha, ele aceita, sim, está tudo certo. Não se preocupe”.

Era julho ainda, mas Leandro já estava vendo a roupa de pinguim para o evento. Não tinha nada que escolher. Era o mesmo traje sempre. Mas Vira queria algo diferente, algo que destacasse o guri dos outros pares. Até perguntou para o melhor amigo do filho, Julei, o que poderia ser sugerido, colocado, inventado, qualquer coisa. Depois de breve discussão, bate-boca e outras verbidades, resolveram pôr uma rosa champagne no traje de Leandro.

Vira reservou o salão de beleza três semanas antes. Abriu a mão – a muito custo – e se propôs a fazer barba, cabelo e bigode. O marido, Muarai, nem bola para o que era tão aguardado pela mulher, mas deixou alugado o smoking. Curiosa, Vira queria saber do vestido de Katiele. Empenhada, depois de escalar a casa da vizinha com uma escada de lavar forro, conseguiu ver a cor: era champagne. “Muarai, nem sabe: o vestido da Katiele é champagne, que nem a flor do Leandro. Legal, né?”, contou faceira ao marido, que estava estagnado na poltrona, fumando, comendo salgadinhos e que respondeu com um “chega-pra-lá” com a mão.

O bendito baile chegou. Ameaçava chover, e Vira punha as mãos nos cabelos alisados para mantê-los bonitos. Fizeram as filas dos pares. Desfizeram em seguida. Uma debutante queria fazer xixi. Leandro se afastou para a saleta ao lado do rol principal do clube. Cinco minutos passaram. Dez também. Vira foi atrás do filho. Que decepção: ele beijava na boca o amigo Julei. Ela na sabia se chorava, se batia nos dois, se gritava. Optou por correr até lá e separar os dois. Neste momento, o decorador e organizador do baile chamou as debutantes e os pares novamente. Irritada e com muitas lágrimas contidas, Vira pisou com raiva o pé do filho, que se desequilibrou, caindo na parede de pano que separava a saleta do salão. O rapaz foi parar na pista. Os convidados todos olharam. Julei – que era primo de uma debutante – correu para acudir o namoradinho, dizendo: “Leô, amor, está tudo bem?” O silêncio tomou conta do salão. “Namoradinho?”, disse uma na ponta. “Jesus, o filho da Vira é gay. Que vergonha!”, exclamou a mãe de uma coleguinha do guri. “Que que tem? Deixa o cara fazer o que quiser!”, disse um outro pai meio bêbado.

E o falatório tomou conta do salão. A debutante Katiele chorava de vergonha, as outras escondiam o riso com as mãos nos rostos. O baile parou. Em meia-hora, Leandro estava apanhando do pai e da mãe em casa; Julei tinha batido o carro ao sair do salão e fora para a delegacia; e a mãe de Katiele infartou indo para o hospital.

O par desapontou; o sonho esvaiu-se em menos de duas horas.

No dia seguinte, Vira parou de tomar a pílula. Queria engravidar novamente e sonhar com um par de debutante perfeito.

terça-feira, 23 de maio de 2017

O INEVITÁVEL FIM DAS RIVAIS | Capa e data do lançamento

É hora de revelar a capa e a data do lançamento de “O inevitável fim das rivais”, volume que encerra minha Série Rivais, iniciada em 2015.

Quem ilustra a capa deste terceiro volume é Édipo Mattos, que foi fotografado por Dani Bomfin. Obviamente, como nos outros dois volumes, a imagem da capa tem a ver com a história. Só lendo para descobrir.

O lançamento será na Biblioteca Pública Municipal de Santo Antônio da Patrulha, no dia 29 de junho de 2017, às 19h. A obra custará R$ 25,00.

Aguardo todos lá!


O quê?
Lançamento de "O inevitável fim das rivais"

Quando?
29/06/17, às 19h

Onde?
Biblioteca Pública Municipal

Quanto?
R$ 25,00

sábado, 20 de maio de 2017

O INEVITÁVEL FIM DAS RIVAIS | Enfim, os dados catalográficos e o ISBN

Até que enfim, a editora enviou-me os dados catalográficos e, em consequência, o ISBN da obra. Com isso, a diagramadora pôde finalizar o trabalho e, agora, só resta esperar pela gráfica. Mais um "filho" nascendo. Falta pouco.

quarta-feira, 29 de março de 2017

GERAL | Recital Poético será no dia 5 de abril

Como parte das comemorações pelo aniversário de Santo Antônio da Patrulha, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria da Cultura, Turismo e Esportes, realizará o Recital Poético "Versos para Santo Antônio" no dia 5 de abril. O evento ocorrerá nas dependências da Biblioteca Pública e terá início às 19h. Também integra o recital o Grêmio Literário Patrulhense.

A entrada e a participação são gratuitas. A única exigência é que os poemas a serem lidos versem sobre a cidade. Não perca!

As comemorações de aniversário de Santo Antônio da Patrulha vão até 9 de abril.

Evento será na Biblioteca Pública Municipal

domingo, 5 de março de 2017

O INEVITÁVEL FIM DAS RIVAIS | Não se trata de UMA rival...

Faz poucos dias que a Caroline Meregalli terminou a diagramação de "O inevitável fim das rivais", e eu preciso dizer: ficou tudo muito bonito. Faz algum tempo, também, que prometi revelar quem é a terceira rival, ou seja, a modelo que estampará capa e contracapa, assim como Marcélie Barcelos e Larieti Assis fizeram nos volumes anteriores.

Pois bem. Aos poucos (porque suspense é tudo), vou revelando: não se trata de UMA rival, mas sim de UM rival. Isso mesmo: no volume 3, teremos um homem na capa e na contracapa.

Ah, e antes que "chutem", não sou eu.

Curiosos?


sábado, 21 de janeiro de 2017

O INEVITÁVEL FIM DAS RIVAIS | Eis o título!

Pois bem, este é o título do volume 3: O inevitável fim das rivais. Ah, e hoje (21/1/17), eu acabei de escrevê-lo. Agora, é a vez da revisão.

domingo, 15 de janeiro de 2017

GERAL | Ajudem-me a escolher o título!


Já estou na escrita do capítulo 18 do volume 3 da Série Rivais. Para tanto, preciso definir logo o título da obra. Querem me ajudar?

É simples. Comentem no Facebook, aqui no blog ou mandem-me e-mails (marneiconsul@hotmail.com), votando num dos três títulos abaixo. Basicamente, o que muda é o adjetivo.

Conto com vocês!

Opção 1: O doloroso fim das rivais

Opção 2: O inevitável fim das rivais

Opção 3: O doentio fim das rivais

domingo, 8 de janeiro de 2017

GERAL | Pitadas do 3º volume da Série Rivais

Não sei se sabem, mas estou escrevendo o volume 3 da Série Rivais, o qual ainda não tem título. Na verdade, tenho alguns títulos em mente, envolvendo as palavras “fim” e “rivais”. Em breve, farei uma pequena pesquisa para saber qual o pessoal da internet prefere.

Posso afirmar que, desta vez, a história se passa em Santo Antônio da Patrulha, minha terrinha. Lembram que, no término do 2, mãe e filho se mudaram? Pois bem: agora, já sabem para onde.

No Facebook, tenho colocado algumas pitadas sobre a obra, as quais aparecem a seguir. Quer conferir?



ENQUANTO ISSO, NO CAPÍTULO 10...
Palavras inúteis novamente. Frente à agitação dele, fui obrigado a aumentar a dose do medicamento, a fim de que se acalmasse. Ainda assim, uma de suas mãos chegou até uma das minhas, apertando-a com força. “Tomara que cheguemos logo, não quero que a situação se complique”, pensei e recoloquei sua mão na maca.

ENFIM, TERMINEI O 10...
Antes de sair do hospital, peguei o contato da técnica em enfermagem e pedi a ela que, se possível, me informasse se algo ruim acontecesse com ele. Parte de mim queria ficar ali, para saber se tudo correria bem. Mas outra parte queria ir embora logo, a fim de não descobrir coisas que, muito provavelmente, abalariam minha vida e, também, a de Isabela.

ENQUANTO ISSO, NO CAPÍTULO 11...
Isabela gritava no quarto, e eu de pé na frente dela sem reação alguma. O que fazer? O que fazer? Quando me dei por conta, ela havia saído, retirado a chave da porta, trancando-a por fora. Corri até ela e bati fortemente: "Mãe, o que vai fazer? Mãe, abra essa porta! Mãe!"

ENQUANTO ISSO, NO CAPÍTULO 13...
Ainda atônito, dirigi-me à sala. Quando cheguei perto dele, pensei em perguntar que palhaçada era aquela, porém me detive, não faria escândalo ali. Ele me olhou bem nos olhos: reconheceu-me ou já sabia que era eu. Estendeu o braço e limitou-se a um “boa tarde”. Cumprimentei-o sem nada dizer.

ENQUANTO ISSO, NO CAPÍTULO 14...
- Os incidentes que acontecem (quando acontecem) são muito pequenos, nada com o que eu não consiga lidar.

Claramente, menti. Não sabia ao certo por que razão. Cruzei as pernas e procurei não bater mais com as pontas dos dedos na cadeira.

A obra terá 24 capítulos, a fim de que siga os moldes dos volumes anteriores. Pretendo (não posso afirmar com absoluta certeza ainda) lançar a obra em agosto, na Feira do Livro local. Mais informações em breve.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

OPINIÃO | Jornal Opa!


Desde outubro, sou colunista do Jornal Opa! Escrevo sobre educação. Já há alguns textos lá. Se ainda não conferiu, acesse este endereço e, depois, conte-me o que achou.

O Opa! é uma plataforma multimídia segmentada ao público jovem/adulto gaúcho. Conta com um jornal mensal impresso, distribuído gratuitamente em universidades e cursos técnicos de Porto Alegre e Região Metropolitana. Um portal atualizado diariamente com as últimas notícias do mundo pop e informações importantes para formação profissional dos estudantes; e tem também forte presença nas redes sociais Facebook e Twitter.

Desde 2010, o Opa! tem um relacionamento próximo do público jovem/adulto gaúcho. Feito por gente jovem, falando a língua da galera, é a melhor forma para as empresas estabelecerem relacionamento com este público que tem alto poder de consumo e forte influência no meio em que vive.

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